São Paulo, SP Brasil
 
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  18/05/2007
  Aula de ecologia de campo acontece na Estação Ecológica do Jari
 

A Estação Ecológica do Jari, com áreas nos limites dos estados do Amapá e Pará, foi o ambiente da aula prática da disciplina Ecologia de Campo, ofertada no Mestrado em Biodiversidade Tropical. Este curso de pós-graduação é realizado através de parceria entre a Universidade Federal do Amapá (Unifap), Instituto de Pesquisas Científicas e Tecnológicas do Amapá (Iepa), Embrapa Amapá e Conservação Internacional (CI).

Divulgação/Embrapa
Pesquisador Marcelino Guedes e os alunos da Unifap

Durante três semanas, professores e pesquisadores ficaram à disposição de oito alunos do Mestrado, para os estudos científicos dos processos ecológicos, das diversas espécies da fauna e da flora e de fatores abióticos (micro-clima e solos) que formam o cenário natural da Estação Ecológica. De acordo com o pesquisador da Embrapa Amapá, Marcelino Guedes, o programa de estudos contemplou as próprias demandas da Estação, uma estrutura oficialmente criada para pesquisas e visitas monitoradas com foco na educação ambiental. "Entre as várias atividades, foram feitos levantamentos e novas identificações de aves, répteis, anfíbios e mamíferos", acrescentou Guedes, orientador de dois alunos no Mestrado.

Além de Marcelino Guedes, fizeram parte do grupo de orientadores desta aula prática os pesquisadores Enrico Bernard, da Conservação Internacional, e Fabiano Cezarino, do Iepa, especialistas em morcegos e estudos de botânica, respectivamente. Três ex-bolsistas da CI que realizam junto ao Iepa atividades de pesquisas sobre fauna também estiveram nesta aula prática: Cláudia Regina da Silva (estudos dos mamíferos), Luís Coutro (estudos das aves) e Jucivaldo Lima, dedicado às pesquisas sobre répteis e anfíbios.

Divulgação/Embrapa
Equipe se prepara para conhecer a Estação Ecologica do Jari

Foram demonstradas durante a aula prática, as técnicas de montar redes e armadilhas de captura e a soltura de animais, levantamento de vegetação englobando estudo florístico, diversidade, fitosociologia (estudo que considera todas as espécies juntas, em uma só comunidade) e análise de solos, desde a técnica correta de coleta da amostra até a parte de levantamento e classificação.

Divulgação/Embrapa
Cachoeira Véu da Noiva (EE do Jari)

Orientadores e alunos fizeram ainda estudos de fatores abióticos, como microclima (temperatura, umidade e luz) e recuperação de áreas degradadas, usando a área de um garimpo desativado pela Ibama, que funcionou dentro da Estação Ecológica. Na parte teórica, foram discutidos o funcionamento dos ecossistemas, ciclagens de nutrientes e a estatística aplicada à ecologia, que compreende tabulação e análise de dados, e elaboração do relatório. A Estação Ecológica do Jari foi criada em 1982, é gerenciada pelo Ibama e ocupa uma área de 207.370 hectares, em áreas dos municípios de Almeirim (PA) e Mazagão (AP).

Dulcivânia Freitas
Embrapa Amapá

 
  Postado às 18h45
 
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  16/05/2007
  Cipó-titica do Amapá é matéria-prima para móveis luxuosos no Sul do País
 

Pouca gente sabe que a fibra do cipó-titica (Heteropsis flexuosa), originária do Estado do Amapá, serve como matéria-prima para refinados móveis e objetos de decoração facilmente encontrados em shoppings de São Paulo, Rio de Janeiro e Curitiba. Conhecida como junco e rattan no sul e sudeste do País, o cipó-titica é um dos produtos florestais não-madeireiros com potencial econômico, pesquisados pela Embrapa Amapá, Unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).

Dados sobre a botânica da planta, crescimento e reprodução, sementes, frutos, e a própria dinâmica de extração e comercialização do cipó-titica, obtidos nos últimos seis anos de pesquisas científicas, agora serão fundamentais para a Secretaria Estadual de Meio Ambiente (Sema) elaborar a Instrução Normativa que vai regulamentar as práticas de manejo deste produto florestal no estado do Amapá.

Divulgação/Embrapa

O manejo é a condição exigida na Lei Estadual, editada em 2001, para que o cipó-titica extraído no Amapá possa ser exportado. Na época, não se sabia sequer a identificação científica correta da planta e as formas de propagação. No entanto, já era um produto cobiçado pelas indústrias moveleiras do sudeste, que souberam fazer proveito econômico da excelente qualidade desta fibra. Um jogo de cadeira artesanal, combinando metal e cipó-titica, não sai por menos de R$ 15 mil em lojas sofisticadas do Rio de Janeiro.

Com a escassez do produto no Pará e no Amazonas, o Amapá passou a ser a bola da vez. Em média, de 40 a 50 toneladas de cipó-titica eram embarcadas no Porto de Santana todo mês. Devido ao desconhecimento sobre a planta e a crescente extração predatória do produto - uma ameaça de esgotamento em pouco tempo - o Governo do Estado sancionou o projeto de lei do ex-deputado Randolfe Rodrigues, que coíbe a extração, transporte e comercialização do cipó-titica para fora do Estado, que não seja originado de área manejada. Em cumprimento a esta lei, o Ibama fez várias apreensões de carregamentos de cipó-titica na BR-156, no Amapá.

Divulgação/Embrapa

"O problema não é a lei que exige a obrigatoriedade de retirada só de áreas manejadas, mas sim a falta de ações governamentais em incentivar a implementação do manejo do cipó-titica por parte dos agroextrativistas do Amapá, para que gere empregos e renda no Estado", afirmou Cláudio Almeida.

Há cerca de seis anos começaram as pesquisas da Embrapa Amapá com o objetivo de conhecer as características agronômicas da espécie, seu crescimento e produção, a dinâmica econômica da extração e comercialização e os elos desta cadeia, formada por extrativistas, atacadistas e beneficiadores. Através de projetos financiados pela Agência de Desenvolvimento da Amazônia (ADA) e pelo Programa Piloto para Proteção das Florestas Tropicais (PPG7), foram realizados estudos ecológicos, consultoria em design, instalação de torres de 25 a 30 metros de altura que servem para avaliar o cipó-titica no topo da planta hospedeira, e consultoria de valoração econômica do cipó-titica no Estado do Amapá.

Divulgação/Embrapa

A PLANTA - O cipó-titica é da espécie botânica Heteropsis flexuosa, encontrada na Amazônia, em áreas de florestais naturais de terra firme. Na fase adulta, o caule é grosso e lenhoso com fibra altamente resistente e durável, por essas características é utilizado na indústria moveleira e também para artefatos e objetos artesanais. O termo cipó-titica é usado apenas na região Norte, no sul e sudeste as fibras de cipó-titica são chamadas de junco ou rattan. No nordeste chama-se vime para qualquer fibra natural.

Dulcivânia Freitas
Embrapa Amapá

 
  Postado às 18h45
 
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  06/05/2007
  Livro destaca tecnologias da Embrapa Amapá para agricultura familiar
 

Algumas das tecnologias desenvolvidas pela Embrapa Amapá para cultivo de mandioca, feijão-caupi, adubação de seringal e manejo de açaizal foram incluídas no livro "Agricultura Familiar na Dinâmica da Pesquisa Agropecuária". A publicação reúne em 432 páginas o conhecimento gerado e adaptado pela Embrapa e outras instituições que integram o Sistema Nacional de Pesquisa Agropecuária (SNPA).

Entre as tecnologias apresentadas na obra estão as cultivares de feijão-caupi, batizadas de Amapá e BRS-Mazagão. Durante quatro anos, a linhagem das duas variedades foi avaliada no Campo Experimental da Embrapa em Mazagão, com testes conduzidos pelo pesquisador Emanuel Cavalcante. Com o melhoramento, a BRS Mazagão chegou a uma produtividade de 1.400 quilos por hectare, rendimento bem superior aos registrados na região Nordeste, a maior produtora de feijão caupi do país, que varia de 280 a 450 quilos por hectares, conforme a zona ecológica da região.

Divulgação/Embrapa

Conhecido também como feijão da colônia e feijão tropeiro, esta leguminosa apresenta alto teor de proteína, boa capacidade de fixar nitrogênio e ainda tem a vantagem de ser pouco exigente em fertilidade de solo. É uma das principais culturas de subsistência do semi-árido nordestino onde foi originada a BRS-Mazagão - e nos últimos anos passou a ser consumido em áreas isoladas da Amazônia, especialmente nas regiões onde se instalaram imigrantes nordestinos. Entre as condições que viabilizam o cultivo do feijão-caupi no Amapá é a condição ecológica ideal para sua exploração, por tratar-se de uma região tropical úmida. O meio ambiente também agradece, pois o plantio é recomendado para áreas antropizadas e devido à resistência natural a doenças, demanda uso reduzido de agrotóxicos.

O manejo florestal de mínimo impacto para açaizais nativos, voltado à produção de frutos, também foi incluída na obra. O Engenheiro Florestal Antônio Leite explica que, ao contrário da exploração tradicional de palmito do açaizeiro, esta técnica de manejo visa à produção de frutos e, por isso, garante a manutenção das diversas espécies vegetais na floresta. "Contribui para conservação da biodiversidade", acrescentou Leite. Em um trecho do livro, consta que o benefício à agricultura familiar é o aumento na produção de frutos de açaí e na renda dos agricultores, enquanto o impacto socioeconômico é que o açaí está bastante valorizado, nos mercados brasileiro e internacional, o que agrega divisas ao Estado do Amapá e ao país.

Outro tema abordado na publicação é a adubação para seringal de cultivo, uma tecnologia que foi recomendada após cinco anos de observação com a cultura em diferentes combinações de nitrogênio, fósforo, potássio e magnésio. A adoção desta tecnologia possui como benefícios a redução do custo de produção e aumento da produtividade, além de dispensar uso intensivo de fertilizantes no solo.

A quarta tecnologia gerada pela Embrapa Amapá, divulgada em "Agricultura Familiar na Dinâmica da Pesquisa Agropecuária", é a cultivar de mandioca Jururá. Esta variedade foi selecionada depois de várias etapas de avaliação e recomendada para mata de terra firme no Amapá. Apresenta ciclo de 12 a 18 meses e tem como características uma altura média de 1,8 metro, casca da raiz marron clara, polpa creme, folha verde e haste prateada. A produtividade média da Jururá é de 19 toneladas de raízes por hectares, o que pode levar a um incremento de 90% em relação à produção média estadual, que é de 10 toneladas por hectares.

Dulcivânia Freitas
Embrapa Amapá

 
  Postado às 20h15
 
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  06/05/2007
  Pesquisa sobre extrativismo da castanha
 

Pesquisa sobre extrativismo da castanha na Reserva do Cajari será apresentada na Embrapa Amapá

A boa cotação do preço da castanha-do-brasil provocou uma mudança nas atividades produtivas da Reserva Extrativista do Rio Cajari (Resex CA), município de Laranjal do Jari, uma região abundante de castanhais, na fronteira dos estados do Amapá e Pará. De 2000 a 2005, o preço do hectolitro do produto saltou de R$ 22 para R$ 90. Essa valorização no mercado fez com que, neste mesmo período, muitas famílias da Reserva trocassem a atividade mista de agricultura e extrativismo para se dedicarem ao extrativismo baseado na coleta da castanha.

Estes dados fazem parte de uma pesquisa do agrônomo Walter Paixão, da Embrapa Amapá, para sua dissertação de Mestrado em Agriculturas Amazônicas, pela Universidade Federal do Pará. Nesta sexta-feira, 4, a partir das 9 horas, Paixão fará uma palestra sobre o assunto, no Auditório da Embrapa Amapá, reunindo pesquisadores e técnicos de diversas instituições convidadas, entre universidades, órgãos federais, estaduais e municipais.

Para realizar o estudo, Paixão analisou as atividades produtivas das comunidades Marinho, Açaizal e Martins, referentes aos anos de 2000 e 2005. O objetivo foi observar se os extrativistas seguem as normas de uso do Plano de Utilização da Reserva, elaborado pelo Ibama e pela comunidade local. Apenas dois casos de não cumprimento foram registrados, referentes à atividade pecuária, que é proibida em área de reserva.

Divulgação/Embrapa
Agrônomo Walter Paixão, da Embrapa Amapá.

Dividida em três capítulos, a dissertação apresenta o contexto histórico, sócio-econômico e humano que envolve a região de localização da Reserva Extrativista do Rio Cajari, onde o autor faz uma análise da relação extrativismo versus agricultura no período colonial brasileiro e amazônico, passando pelos ciclos do extrativismo, com ênfase ao ciclo da borracha. "Fazemos também uma análise da ameaça aos sistemas extrativistas da Amazônia por políticas desenvolvimentistas das décadas 70 e 80, a emergência da cultura conservacionista associada ao desenvolvimento", acrescenta Paixão.

Foi neste contexto que surgiu a regulamentação das novas Unidades de Conservação da Natureza na Amazônia, como as reservas extrativistas criadas pelo governo federal no final dos anos 80, que associam a conservação da biodiversidade com a necessária presença do homem. Uma Reserva Extrativista tem a função de conservar a floresta amazônica e proteger o direito das populações locais, que ficaram responsáveis pela proteção da biodiversidade dos ecossistemas, mas não são proprietárias das áreas.

Uma das conclusões da pesquisa é que nenhuma família deixou de fazer agricultura e nem reduziu suas áreas de cultivo, mesmo mantendo a atividade de coleta e venda da castanha. "O que aconteceu foi um impacto grande na renda das famílias, devido ao alto preço e ao aumento da produção da castanha", explicou Walter Paixão. As famílias continuam plantando roças para consumo ou venda, com destaque para a mandioca. Outras culturas são a banana, batata, cará e abóbora, além da criação de galinhas, patos e suínos.

A Reserva do Rio Cajari, a primeira do Amapá, foi criada em 1990. Trata-se de uma área onde predomina uma floresta densa. Nos diferentes processos de ocupação desta área, desde 1890, sob a propriedade de José Julio, até a atual Reserva, passando pelo domínio dos portugueses e do Projeto Jari, a extração da castanha sempre foi a principal atividade do Alto Cajari, localizada no Sul do Estado. A pesquisa foi orientada pela professora Laura Angélica Ferreira, e contou com apoio financeiro da Agência de Desenvolvimento da Amazônia (ADA).

Dulcivânia Freitas
Embrapa Amapá

 
  Postado às 20h15
 
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