São Paulo, SP Brasil
 
  +Blog da Pick-upau
   
  17/06/2007
  Cartilha orienta o manejo florestal para produção de frutos de andiroba
 

A grande procura das indústrias de cosméticos e de medicamentos pelo óleo da andiroba (Carapa guianensis Aubl.) abre perspectivas para a geração de renda nas comunidades ribeirinhas do Arquipélago do Bailique, município de Macapá, e das áreas de várzeas no município de Mazagão. Nas duas localidades, milhares de ribeirinhos que podem ser orientados a fazer um extrativismo sustentável deste produto florestal. A idéia é que tirem o sustento da floresta e, ao mesmo tempo, conservem a rica diversidade de espécies de plantas da Amazônia.

Pensando nisso, o Instituto de Pesquisas Científicas e Tecnológicas do Estado do Amapá (IEPA) publicou uma cartilha que mostra como fazer o manejo florestal para dinamizar a produção de frutos de andiroba e de outros produtos florestais de valor econômico encontrados no Amapá. O conteúdo foi produzido pelo engenheiro florestal José Antônio Leite de Queiroz, da Embrapa Amapá. A publicação faz parte do Projeto Aproveitamento Sustentável da Andiroba no Estado do Amapá - uma parceria do Ministério do Meio Ambiente e Governo do Estado - e tem como público-alvo os participantes de cursos de técnicos em manejo florestal para produção de frutos. Também é utilizada para treinamentos de ribeirinhos que se dedicam à coleta dos frutos e extração do óleo da andiroba.

A andirobeira é utilizada em larga escala pelas populações ribeirinhas do Amapá e tem uma grande importância socioeconômica para estas comunidades.

O principal produto comercializado é a madeira, para construção civil, enquanto o óleo extraído das amêndoas (de forma artesanal) tem funções terapêuticas e, por isso, boas perspectivas de mercado. "A principal utilização das sementes está voltada para extração (artesanal e industrial) do óleo, gerando produtos como sabonetes, cápsulas medicinais, velas e repelentes", disse Antônio Leite.

Divulgação/Embrapa
Capa da cartilha

Durante a pesquisa para elaborar a publicação, o engenheiro florestal constatou que é variável a quantidade de sementes de andiroba por árvore e de óleo para cada quilo de semente coletado. Uma família do Igarapé Fortaleza, próximo a Macapá, disse-lhe que a produção anual de sementes chega a oscilar de 10 até 100 quilos, dependendo da idade da árvore e da robustez da copa. Outra informação repassada pela família é que um quilo de sementes rende 100 ml de óleo, ou seja, aproveitamento de 10%. Já na extração industrial o rendimento sobre para 30%.

MANEJO FLORESTAL - Antônio Leite lembra ao extrativista que o primeiro passo para se fazer o manejo da andirobeira é procurar o órgão responsável pela emissão de autorização desta atividade. Porém, atualmente a competência para autorização de manejo florestal no Amapá está em fase de transição, já que esta responsabilidade deverá ser transferida do Ibama para o Governo do Estado, via Secretaria Estadual de Meio Ambiente (Sema).

Outra observação importante é aplicar corretamente o conceito de manejo florestal, previsto no Decreto nº 1.282, de 1995, que regulamenta a exploração das florestas da Bacia Amazônica e deixa claro que, para ser sustentável, o manejo tem que ser economicamente viável, ecologicamente correto e socialmente justo. "Entrar na floresta para explorar palmito, derrubar algumas árvores e roçar alguns arbustos não significa que a pessoa está manejando a floresta. Manejar o ambiente florestal é combinar as diversas espécies florestais de uma mesma área, dando pequena prioridade às andirobeiras, utilizando técnicas florestais e consciência ecológica", explicou Leite. Todos os procedimentos necessários para se fazer o manejo florestal para frutos de andiroba e de outros produtos florestais do Amapá, além da lista dos equipamentos indispensáveis, estão detalhados na publicação. Há exemplares da cartilha para consulta nas bibliotecas da Embrapa Amapá e do IEPa.

Dulcivânia Freitas
Embrapa Amapá

 
  Postado às 21h30
 
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  16/06/2007
  Embrapa Amapá discute queima de florestas e aquecimento global
 

A relação nociva entre a prática de queima de florestas na Amazônia e o aumento da temperatura na Terra é o tema da palestra do pesquisador da Embrapa Amapá, Marcelino Guedes, durante a programação alusiva à Semana do Meio Ambiente, realizada pela Secretaria Estadual de Meio Ambiente do Amapá(Sema), em Macapá. O evento tem como tema geral "Aquecimento Global - O planeta em alerta!", é gratuito e aberto a estudantes do curso de Engenharia Florestal, de áreas afins e interessados no assunto.

A queimada e desmatamento na Amazônia é a atividade que mais contribui para o Brasil ocupar o quarto lugar na lista dos dez maiores emissores mundiais de CO2 no ar, o principal gás que provoca o efeito estufa e o aquecimento da Terra de forma desequilibrada. "Entre as conseqüências temos cenários que apontam para o aumento do nível dos oceanos que podem sumir com cidades inteiras, o desequilíbrio dos ecossistemas envolvendo toda a parte de fauna e flora e dificuldades de adaptação de culturas agrícolas, o que pode gerar problemas para a produção de alimentos", afirmou Marcelino Guedes, doutor em Recursos Florestais.

Divulgação/Embrapa
Região do Jari (Amapá)

O pesquisador lembra que não trata-se de uma visão especulativa de catástrofes. "É a realidade, não é uma questão de sensacionalismo. Temos cenários mais pessimistas, outros menos pessimistas, mas todos são pessimistas. Não vemos cenários otimistas, há muita gente trabalhando no mundo inteiro com este problema", ressaltou Guedes. De acordo com o pesquisador, as principais fontes de emissão do CO2 são as queimadas das florestas (a maior parte da fumaça é CO2), os veículos automotores e as indústrias. "Nos países industrializado as principais fontes são as indústrias e os veículos. No Brasil mais de 50% da emissão total estão ligados diretamente às queimadas e o desmatamento na Amazônia".

Neste contexto, o Amapá não chega a ser um vilão, até porque trata-se do Estado no Brasil com maior área preservada de florestas nativas, graças entre outros fatores a um forte mecanismo que é a criação de áreas protegidas que chegam a alcançar 72% do território amapaense, em forma de unidades de conservação, reservas indígenas e florestas de produção. "As áreas preservadas fazem parte de uma política irreversível e temos que fortalecer isso, além de avançarmos na parte produtiva utilizando o manejo de mínimo impacto, para evitar atividade florestal degradante", observou
Guedes.

Durante a palestra, Marcelino Guedes vai explicar como funciona e os benefícios da tecnologia Tipitamba - Plantio direto na capoeira, desenvolvida pela Embrapa como alternativa ao uso do fogo no preparo da área para plantio. Em abril deste ano, a Embrapa Amapá e o Rurap realizaram um Dia de Campo sobre esta tecnologia, na Escola Família Agrícola do Pacuí, município de Macapá, reunindo cerca de 200 pessoas, entre autoridades do Governo do Estado e de Prefeituras, técnicos de extensão, alunos, professores e agricultores da região. Na ocasião houve a demonstração prática do uso do Tritucap, um trator e um implemento que corta a capoeira em vez de queimá-la. O equipamento foi transportado de Belém, especialmente para esta atividade.

Divulgação/Embrapa
Floresta do Jari (Amapá)

Posteriormente foram instaladas 10 unidades de observação em propriedades no Pacuí e Cutias. "Logo depois do Dia de Campo fizemos o plantio de mandioca, macaxeira, melancia, milho, e na próxima semana vamos plantar feijão, para podermos acompanhar o crescimento diretamente nas propriedades dos agricultores", acrescentou Marcelino. Os alunos da Escola Família do Pacuí acompanham esta atividade de extensão.

Além da tecnologia Tipitamba, o pesquisador vai falar sobre a valorização de uma política florestal que inclusive a Embrapa defende, que é a valorização da floresta em pé e agregação de valor econômico aos produtos florestais não-madeireiros. "Se o ribeirinho conseguir tirar renda da floresta em pé, ele vai conservar a floresta, é aí que entra a política de produtos florestais não-madeireiros, como andiroba, copaíba e outros que não precisam derrubar a floresta e têm potencial para internalizar renda nas comunidades", finalizou Marcelino Guedes.

Dulcivânia Freitas
Embrapa Amapá

 
  Postado às 21h45
 
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