São Paulo, SP – Brasil
 
  +Blog da Pick-upau
   
  27/01/2012
  Foto capta tubarão raro 'sorridente' capaz de devorar ursos polares
 

Para captar as imagens de um exemplar da espécie aquática do raro tubarão da Groelândia (Somniosus microcephalus), nas águas do rio Saint Lawrence, na América do Norte, o fotógrafo havaiano Doug Perrine, especialista em imagens de animais perigosos, ficou apenas a um metro de distância do predador. Apesar de parecer ‘alegre’, há registros de partes de ursos polares e de renas encontradas no interior de tubarões. Exemplares dessa espécie chegam até ter 7 metros de comprimento e costumam procurar por focas e peixes para se alimentar.

Segundo a descrição na lista vermelha das espécies ameaçadas da União Internacional para a Conservação da Natureza, esse tubarão habita profundidades de até 1.200 metros, principalmente nas águas geladas da região do Ártico. Nenhuma outra espécie de tubarão nada em uma região mais ao norte no planeta. A temperatura da água no local pode chegar a 1ºC.

Moradores da Groelândia e da Islândia caçam há séculos o animal em busca da pele, usada para fazer botas. Os dentes também são extraídos para dar origem a ferramentas de corte. Já a carne é usada em um prato tradicional na Islândia - o hakarl.

Daily Mail / Reprodução

Tubarão da Groelândia fotografado no rio Saint Lawrence, na América do Norte.

Do Globo Natureza

 
  Postado às 16h54
 
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  27/01/2012
  Tartarugas raras são 'tatuadas' para evitar tráfico
 

Ambientalistas na ilha de Madagascar, na África, estão tomando medidas drásticas para tentar preservar uma das espécies de tartarugas mais raras do mundo, a Astrochelys yniphora. Os especialistas decidiram fazer uma espécie de tatuagem permanente, gravando números nos cascos das tartarugas para reduzir seu valor de revenda no mercado negro.

As Tartarugas-de-Madagascar são cada vez mais visadas por traficantes de animais, que vendem as tartarugas na Ásia como animais de estimação ou para a indústria de alimentos e de remédios tradicionais.

"A venda destes animais é absolutamente proibida. Acreditamos que haja menos de mil animais adultos na natureza. Achamos que mais de 30 foram roubados só este ano", diz Richard Lewis, diretor do programa da Durrell Wildlife Conservation Trust em Madagascar, que acaba de completar 25 anos. As tartarugas são monitoradas por transmissores de rádio que são colocados nos animais e moradores fazem patrulhas para evitar que estranhos frequentem as matas locais. Ainda assim, os especialistas acham que os números gravados nos cascos são uma medida necessária.

O programa já conseguiu que 300 tartarugas nascessem em cativeiro e agora está reintroduzindo os animais à vida selvagem.

Durrell Conservation Trust

Tartarugas raras são 'tatuadas' para evitar tráfico

DA BBC BRASIL

 
  Postado às 16h50
 
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  27/01/2012
  Cientistas constatam aceleração do derretimento em glaciar na Patagônia
 

Um estudo divulgado pelo Centro de Estudos Científicos do Chile indicou que a geleira Jorge Montt, localizada no Campo de Gelo Sul da Patagônia chilena retrocedeu um quilômetro em um ano devido ao aquecimento global e às condições oceanográficas,

“Quase todas geleiras da região têm experimentado perdas de áreas por conta do aquecimento global. O glaciar Jorge Montt é o que registrou maior retrocesso”, disse Andrés Rivera, durante a apresentação da pesquisa.

Durante a década de 1990, a geleira Montt retrocedeu cerca de 7 km, mas desta vez, o degelo acelerou, o que produziu um grande número de icebergs, acrescentou Rivera. A pesquisa foi realizada entre fevereiro de 2010 e janeiro deste ano, tempo em que foram feitas 1.445 fotografias por meio de duas câmeras instaladas perto do glaciar, com quatro disparos diários.

A investigação científica evidenciou que a estrutura do glaciar de 454 km² “é uma das que apresentaram uma maior perda de tamanho e mais acentuada regressão no Hemisfério Sul”. Além disso, o recuo da geleira Montt significou mudanças na geografia do Campo de Gelo Sul, que tem 13 mil km² e é a terceira maior superfície congelada do planeta, atrás apenas da Antártida e da Groelândia.

Divulgação

Geleiras do Himalaia diminuíram até 22% em 30 anos, afirmam cientistas

Do Globo Natureza

 
  Postado às 16h47
 
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  27/01/2012
  Fotos mostram efeitos do aquecimento global vistos do alto
 

Imagens de satélites da Nasa (agência espacial americana) exibem os efeitos de fenômenos naturais no planeta, como enchentes e queimadas.

Para muitos cientistas, o desequilíbrio climático está por trás de fenômenos como a cheia histórica que colocou boa parte do Estado de Queensland, na Austrália, debaixo d'água. Segundo relatório da Organização Mundial Meteorológica, embora as temperaturas médias de 2011 tenham sido menores que as do ano anterior, os termômetros, ainda sim, estão acima da média histórica. De acordo com o documento, a América Central, por exemplo, deve ter o ano mais quente em 140 anos.

As imagens da Nasa também mostram as áreas de deslizamentos em Teresópolis, na região serrana do Rio de Janeiro, fortemente atingida por chuvas que deixaram quase 900 mortos no início deste ano.

Nasa

Campos cultivados ficaram baixo d'água ao longo do rio Mississippi.

DA BBC BRASIL

 
  Postado às 16h41
 
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  27/01/2012
  Espécie de formiga africana paralisa e mata cupins à distância
 

Um estudo sobre a tática de ataque de uma espécie africana de formigas operárias (Crematogaster striatula) foi divulgado na publicação 'PLoS ONE'. Segundo os pesquisadores, as formigas conseguem utilizar o abdômen para expor o ferrão e fazê-lo expelir o veneno. Aparentemente volátil, a substância causa paralisia e, com o tempo, mata os cupins. Os compostos químicos no ferrão do inseto podem servir para atrair outras formigas amigas e repelir as "estrangeiras", além de paralisar e matar cupins. Somente no caso do ataque aos cupins a ação pode ser feita a distância. Isto seria uma vantagem já que as formigas rivais costumam fugir ao sinal das operárias, mas os cupins costumam defender território enquanto competem por fontes ricas em açúcar.

A pesquisa foi conduzida pela equipe de Angelique Vetillard, da Universidade de Toulouse, na França.

PLoS ONE

Fotos mostram formigas (em preto) mostrando o abdômen em direção a um cupim inimigo. Com o tempo, o cupim começa a se debater até morrer. Na imagem C, uma formiga ameaça um cupim para proteger uma pequena "poça" de mel.

Do G1

 
  Postado às 16h38
 
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  27/01/2012
  Fêmea de peixe procura amiga mais bonita para fugir de assédio
 

Estudo mostra técnicas de fêmeas de uma das espécies preferidas para a criação em aquários, conhecida no Brasil como “guppy”, “lebiste” ou “barrigudinho”, para fugir do assédio dos machos, que são conhecidos por persistência.

Os pesquisadores estudaram um grupo que vivia em um rio e descobriu que muitas vezes fêmeas que não estavam no cio se juntavam a grupos que estavam. O objetivo era distrair a atenção dos machos e conseguir um pouco de descanso. Os machos são famosos por suas incansáveis tentativas de se reproduzir com as fêmeas a um ponto que acabam impedindo que elas procurem comida ou consigam fugir de predadores a tempo.

O estudo feito nas universidades de Exeter e Copenhague está publicado na edição da revista científica "Proceedings of the Royal Society B".

Wikimedia Commons

Macho e fêmea da espécie

Do G1

 
  Postado às 16h35
 
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  27/01/2012
  Elefante-marinho percorre 29 mil km em 11 meses no Pacífico, diz ONG
 

Ambientalistas da organização Sociedade de Conservação da Vida Selvagem (WCS) instalaram um transmissor em um elefante-marinho-do-sul (Mirounga leonina) em dezembro de 2010, na Terra do Fogo, no Chile, e verificaram em novembro de 2011, que o animal havia percorrido cerca de 29 mil quilômetros ao longo dos 11 meses. O elefante-marinho foi acompanhado pela equipe para que os ambientalistas compreendessem melhor as rotas migratórias da espécie.

“Esta informação é vital para melhorar a gestão dos oceanos na região, ajudando a estabelecer as áreas de proteção e a gerir melhor a pesca, sem prejudicar as espécies marinhas vulneráveis", disse Caleb McClennen, Diretor de Programas Marinhos da WCS. De acordo com a organização ambiental, a espécie é indicadora da saúde dos ecossistemas marinhos e pode mostrar como a mudança climática influencia na distribuição de animais na Patagônia.

As informações vão servir para estabelecer um novo modelo de conservação para a região da Patagônia. A organização ambiental monitora 60 elefantes-marinhos por satélite desde 1990.

Divulgação/Wildlife Conservation Society

O elefante-marinho Jackson, cujas viagens foram acompanhadas por 11 meses.
A linha vermelha no mapa mostra o trajeto percorrido pelo elefante-marinho Jackson entre dezembro de 2010 e novembro de 2011.

Do Globo Natureza

 
  Postado às 16h30
 
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  27/01/2012
  O Futuro do Brasil e o Brasil no Futuro
 

Este ano, 2003, marca uma nova era no Brasil. Pela primeira vez, o País é governado por um partido de oposição, e mais: comandado por um homem vindo do povo. Junto ao novo governo, uma gigantesca onda de esperança tomou conta do País e a sociedade, agora, espera uma mudança política e social das mãos do novo poder.

Por J. Andrade

Questões partidária-ideológicas à parte, o povo brasileiro anseia por uma renovação geral na vida cotidiana da nação. E o que se pode esperar de Luiz Inácio Lula da Silva e de sua equipe para a área ambiental? Os problemas já são conhecidos e algumas soluções também. Falta aí a tal “vontade política”. Apesar de ainda ser cedo para análises mais profundas, a verdade é que o governo Lula tem escorregado em alguns assuntos importantes na questão do meio ambiente, mote deste breve artigo.

Um decreto assinado pelo Presidente, em fevereiro, abriu as portas do Brasil para um problema com destino preocupante. Mesmo sendo contra uma resolução do Conama (Conselho Nacional do Meio Ambiente), o Presidente da República assinou documento que libera a cobrança de multa para importação de pneus reformados dos países do Mercosul.

Apesar do rendimento de 30% a 60% inferior aos pneus novos, da questão da reciclagem e até mesmo do estado de nossas rodovias, além das possíveis epidemias como a dengue e a febre amarela, Lula autorizou, por decreto, que pneus de segunda-mão entrem livremente no Brasil. Tal ação evidencia a desinformação ambiental no caso, além de um certo unilaterismo em relação ao Ministério do Meio Ambiente, que ficou fora da negociação.

Outro assunto que preocupa os ambientalistas, neste início de mandato, é a conduta adotada pelo governo na questão indígena. Na recém-criada Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, os benefícios ficaram restritos aos negros, deixando os índios de fora. Para se comprovar a tal falta de senso na exclusão dos índios à pasta, basta perceber o pequeno número de indígenas que habitam o Brasil e quais suas condições de vida.

Não se pode esquecer, aqui, de citar o caso da não-homologação da terra indígena Raposa/Serra do Sol, em Roraima, cercada de contradições, onde há suspeita de que o governador Flamarion Portela (ex-PSL, atualmente PT) tenha usado a mudança de partido como “moeda de troca”, como sugere o presidente do Cimi (Conselho Indigenista Missionário), Dom Gianfranco Masserdotti.

Se a não-homologação está ou não condicionada à negociação política, ainda não se sabe ao certo. Porém, a medida que dá o direito aos índios sobre a terra (até o fechamento desta edição) não foi assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que não depende de nenhuma pasta, ministério ou pendência jurídica para torná-la uma reserva.

Transgênicos

Quando o assunto são os transgênicos os problemas do governo tornam-se ainda maiores. Como agradar agricultores, consumidores, ONGs e grandes corporações, tendo que enfrentar até a falta de consenso entre os governantes?

O fim desta luta parece distante. No entanto, o primeiro round foi vencido pelos agricultores, sobretudo os do Rio Grande do Sul, que cultivaram ilegalmente a soja geneticamente modificada.

O governo resumiu-se a culpar a última administração pela falta de uma fiscalização adequada. E a primeira medida do novo governo foi viabilizar a comercialização do produto, para que não haja um prejuízo maior na economia do setor.

Ambientalistas e consumidores esperam o futuro dos transgênicos no País com desconfiança. Segundo o governo, o fato de a safra atual ser escoada não quer dizer que Organismos Geneticamente Modificados (OGMs) serão liberados no Brasil. No entanto, as ações nos primeiros meses de governo e as promessas de campanha de Lula parecem estar bem distantes e no meio desse oceano de contradições devemos ficar, no mínimo, apreensivos.
Futuro incerto

Mas os problemas não param por aí. Setor energético necessitando urgentemente de investimentos para ser ampliado, de preferência, com o mínimo impacto ambiental; saneamento básico deficiente em todo o País; reforma agrária, apontando como uma das pedras no sapato do novo Presidente da República, e com movimentos por todo o Brasil que mostram à Lula o outro lado da moeda; utilização dos recursos hídricos e até a fome são assuntos ligados diretamente à área ambiental.

E a lista continua. O governo de Luiz Inácio Lula da Silva terá que enfrentar o combate ao tráfico de animais, que tem tirado o sono da fauna e de ambientalistas. O comércio de animais só tem perdido para o de armas e de drogas, colocando em risco uma grande quantidade de espécies na lista de perigo de extinção.

E mais, a biopirataria, que tem causado grandes prejuízos para a economia e a biodiversidade do País; o contrabando de nosso patrimônio natural e histórico, como os fósseis, que são retirados ilegalmente de sítios brasileiros para integrar coleções particulares e até acervos de museus espalhados pelo mundo.

Como se vê os entraves são muitos e ações eficazes que consigam aliar o progresso do País com a preservação e manutenção ambiental são fundamentais para o desenvolvimento sustentável. A sintonia e consenso entre nossos governantes à regência dessas questões, a participação da sociedade, do setor privado e sobretudo do chamado terceiro setor serão vitais para as futuras políticas ambientais.

Luiz Inácio Lula da Silva e sua equipe terão muito trabalho pela frente. Dos 170 milhões, é certo que ao menos 53 milhões de brasileiros (eleitores de Lula) esperam boas notícias e ações efetivas do novo governo. Vontade de mudar o povo brasileiro o governo já demonstrou que tem, resta o presidente planejar bem o futuro do Brasil, para que de fato nosso País esteja no futuro.

O conteúdo dos artigos publicados nesta seção não reflete necessariamente o ponto de vista da Agência Ambiental Pick-upau, sendo de inteira responsabilidade de seus autores.

 
  Postado às 17h35
 
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  27/01/2012
  O petróleo de hoje será a água de amanhã
 

No passado foram terras, crenças, pátrias e raças. Hoje, tecnologia nuclear, interesses corporativos, poder político, terrorismo e petróleo. E amanhã? O que será no futuro? Que tal um palpite: a água. A água poderá ser o petróleo de amanhã, poderá ser a crença pela vida, o poder da Terra, a pátria destruída. Isso é o mínimo que pode-se esperar de governos regidos por ditadores aspirantes a facínoras que se têm visto pelo mundo afora. E se amanhã eles decidirem que a água será a bola da vez? E vale lembrar que o petróleo é uma fonte de energia esgotável.

Por Pedro Isal

Ter a maior reserva de água doce do planeta hoje é muito importante, mas, se não soubermos impor nossa soberania, através de meios pacífico, é claro, poderemos ser um alvo do futuro.

Já imaginou que amanhã poderemos ser nós os ameaçados de guerra. Afinal se hoje o Iraque é um dos maiores produtores de petróleo do mundo, numa relação, nas suas devidas proporções, poderíamos dizer que o Brasil é o Oriente Médio da água doce do planeta. E não precisa ser um ambientalista, nem especialista em recursos hídricos para saber que a água, que, no passado pensava-se que dava que nem chuchu pode vir a acabar, ou pelo menos não chegar a quem precisa. Aí podem dizer: “O Brasil está contribuindo com os terroristas. Estão cedendo a Amazônia para servir de esconderijo para Bin Landen's e Saddan's”. E mais: seremos acusados de produzir armas nucleares em nossa moderníssima usina de Angra dos Reis, que mal produz energia para consumo meramente elétrico. E se o Brasil for o Iraque de amanhã? Já parou para pensar, porque os Estados Unidos usam dois pesos diferentes quando está em questão o falido país de Saddan e “nova” ameaça para o “mundo”, a Coréia do Norte. Bem, além do poderio militar, que são outros quinhentos, existe claro o fator petróleo. Só não vê quem não quer ou está do outro lado. O que leva um país como os EUA a fecharem seu próprios poços de petróleo para consumir o que é importado, grande parte do Oriente Médio. Imaginem se no futuro o Partido dos Trabalhadores fosse chamado de comunista – de esquerda eles já se consideram, pelo menos antes de virar governo, aí a barba de nosso excelentíssimo presidente pesaria como nunca. Ainda acho que o Brasil é uma espécie de Suíça da América Latina e que dificilmente veria o país envolvido em um conflito deste porte. Mas prevenir sempre será melhor que remediar.

O fato de pessoas mundo afora não se entregarem em comoção ao desastre das Torres Gêmeas - justificativa usada pelos americanos para o combate ao terrorismo -, ou, não ser a favor da guerra no Iraque seria um simples sentimento anti-americano? Isso significa que estaremos do lado de Saddan? Acho que nem uma coisa e nem outra. O fato de ser contra a guerra não lhe acarretará o fardo de ser a favor ou contra, de um ou de outro. E sim a favor ou contra uma situação – que pelo visto nenhuma nação está imune. Temos que ficar atentos à todos esses fatos e quando for a hora deveremos saber mostrar aos americanos e ao resto do mundo que aqui o país é mais embaixo.

Por enquanto rezemos pela paz e o bom senso no presente.

O conteúdo dos artigos publicados nesta seção não reflete necessariamente o ponto de vista da Agência Ambiental Pick-upau, sendo de inteira responsabilidade de seus autores.

 
  Postado às 17h35
 
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  27/01/2012
  Fauna em perigo
 

Após a divulgação da “Lista Vermelha”, da UICN (União Internacional para a Natureza), revelando que um a cada quatro mamíferos do planeta está ameaçado de extinção e que metade dessas espécies está em declínio numérico, outra lista sobre animais ameaçados acaba de ser anunciada.

Por J. Andrade

Desta vez o relatório divulgado pela BirdLife International aponta que 1.200 espécies de aves estão ameaçadas de extinção, sendo que 190 estão em situação crítica. O documento apresentado no Congresso Mundial da Natureza, em Barcelona (Espanha), aponta que as aves "avançam mais rápido do que nunca" rumo à extinção e que recursos destinados à sua recuperação são infinitamente insuficientes.

Segundo os pesquisadores, cerca de 153 espécies de aves foram extintas desde 1500, e que nos últimos 25 anos, outras 18 desapareceram do planeta. O relatório informa que as aves marinhas e da Oceania, na média, são as mais ameaçadas, já as espécies asiáticas estão em queda acentuada por causa da destruição das florestas. As causas da extinção das aves, segundo o relatório, são as mesmas para quaisquer espécies e são bem conhecidas, destruição de florestas por conta do avanço indiscriminado e predatório da agricultura e da pecuária, desenvolvimento à custa da destruição da biodiversidade e o excesso de poluição.

A pesquisa registra 10 mil espécies de aves do mundo, onde 45% são usadas pelo ser humano e algum processo e mais de um terço é domesticada, além de uma a cada sete espécies acabar servindo de alimento. No entanto, o documento destaca 16 espécies que saíram da lista de extinção nos últimos anos, aves que foram temas de campanhas de conservação.

Já a lista da UICN, que registra todas as espécies, aponta os mamíferos como principais vítimas. Segundo o relatório, 1.141 de 5.487 espécies registradas correm risco de extinção, e alerta, os números podem ser ainda piores, já que não há informação suficiente sobre 836 mamíferos, o que segundo os pesquisadores é um mau presságio.

Ao todo a “lista vermelha”, criada em 1963, totaliza 16,9 mil espécies de animais e plantas ameaçadas de extinção.

Artigo publicado na coluna "Visão Ecológica", da edição de novembro da Revista Ecolbrasil. Saiba mais!

O conteúdo dos artigos publicados nesta seção não reflete necessariamente o ponto de vista da Agência Ambiental Pick-upau, sendo de inteira responsabilidade de seus autores.

 
  Postado às 17h35
 
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  27/01/2012
  Crimes Ambientais S/A
 

Foi-se o tempo em que as contaminações eram pelo ar, terra ou água. Uma nova modalidade vem causando grandes estragos ao meio ambiente: a passividade, o argumento e a complacência a favor de interesses obscuros.

Por J. Andrade

As questões parecem estar resumidas a números, balanços e faturamentos. No último grande desastre ecológico brasileiro - a destruição dos rios Pomba e Paraíba do Sul – o acidente envolvendo a Indústria Cataguazes de Papel trouxe à tona uma nova discussão, mas não tão óbvia quanto a mancha de licor preta derramada nos rios.

A falta de assistência imediata e a confusão de poderes ficaram claros na reunião entre Rosinha Matheus (RJ), Aécio Neves (MG) e a própria ministra do Meio Ambiente Marina Silva, que tiveram de aparar as divergências durante o encontro realizado na cidade atingida.

No episódio de Cataguases, em Minas Gerais, o Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais e Renováveis) e moradores da cidade, a princípio, foram contra o fechamento da empresa, que há 14 anos armazena de forma irregular o produto derivado do processo da fabricação de celulose, além de funcionar sem licença ambiental.

O argumento era bem simples: “o fechamento da indústria causaria um desajuste econômico na região, por conta da demissão de cerca de 3.000 funcionários”. Se a questão fosse tão simples, e se pudéssemos reduzi-la a números, os argumentos do outro lado ganhariam fácil. Várias cidades mineiras e fluminenses foram afetadas; centenas de pescadores artesanais ficaram sem trabalho; a destruição e degradação dos ecossistemas atingidos resultaram em prejuízos incalculáveis. E por mais alta que fosse a multa aplicada à empresa, cerca de R$ 50 milhões - segundo a empresa, inviabilizaria financeiramente o funcionamento da indústria, que hoje não produz mais papel e só trabalha com reciclagem -, ainda sim seria impossível a total recuperação do ambiente.

E agora? O que fazer? Cumprir a lei e aplicar a multa, mesmo que isso signifique o fechamento de postos de trabalho? Mostrar a esses empresários dissimulados que a punição por crimes ambientais pode ser tão dura quanto para qualquer outro crime hediondo, e dar um basta neste desrespeito ao meio ambiente? “Sim”, no entanto, interesses se confundem com as obrigações e outros rumos são dados.
Crimes corporativos revelam números assustadores

Até quando seremos reféns desses crimes ambientais e das corporações que se escondem atrás de liminares e simplesmente não respeitam as leis, tampouco as pessoas e o meio ambiente? Até quando teremos que ler nos jornais manchetes de desastres ecológicos já anunciados e ver os responsáveis se safando de suas responsabilidades ou testemunhar o próprio poder público dissimulando e criando um jogo de empurra? Até quando teremos que relembrar a falta de respeito pela vida, como o caso da Union Carbide, em Bhopal, ocorrido em 1984 e considerado o pior acidente industrial da história.

A liberação de 40 toneladas de gases tóxicos matou, só nos primeiros três dias após o vazamento, cerca de 10.500 pessoas, e que, de acordo com relatórios do Indian Centre for Medical Rehabilitation Studies, uma pessoa morre por dia devido a doenças relacionadas com o vazamento, e ainda, 520.000 pessoas possuem substâncias tóxicas originárias do desastre. E este foi apenas um, dos muitos casos de contaminação que assombram a recente história da humanidade.

Só no Brasil, segundo o Greenpeace (www.greenpeace.com.br), existem cerca de 17 casos de crimes corporativos. Os mais recentes, em Paulínia e na Vila Carioca, ambos em São Paulo.

Este tipo de agressão ao meio ambiente (entenda o homem e todo o resto) parece ser uma situação comum, principalmente em grandes corporações. Esse descaso com a vida é tão óbvio e assustador quanto às imagens de Bhopal, Cataguazes ou do caso do petroleiro Prestige que naufragou, em novembro de 2002, na costa noroeste da Espanha.

O navio carregava o dobro de sua capacidade, cerca de 77 mil toneladas de óleo, e não possuía casco duplo, uma norma neste tipo de transporte. O desastre causou a morte de milhares de aves e peixes, destruiu praias e afetou a pesca, prejudicou o turismo e deixou danos quase irreversíveis no ecossistema local. Na ocasião o mundo assistiu estarrecido a falta de competência do governo local, enquanto voluntários tentavam, em vão, reduzir os estragos. Cerca de 400 quilômetros de praias foram atingidas.

Em 1989, o petroleiro Exxon Valdez, que naufragou em Bligh Reef, no Alasca, causou danos e mostrou números ainda mais assustadores: 700 milhas de costa foram atingidas; resquícios da contaminação puderam ser vistos a 600 milhas do local do acidente; cerca de 5.000 lontras foram mortas – 14% do total da região; entre 300.000 e 675.000 pássaros marinhos morreram, segundo relatório do Greenpeace. Tudo isso deveria ser mais do que suficiente para que houvesse mudanças. No entanto, acidentes com petroleiros, refinarias e reservatórios de produtos tóxicos são quase comuns nos dias de hoje, apesar de toda tecnologia envolvida.

Ainda parece, prevalecer a contenção de gastos e investimentos com equipamentos e tecnologias a favor da prevenção de acidentes. Assim, toneladas de óleo e outras substâncias tóxicas são despejadas sobre o solo, a água e o ar.
Não há soluções mágicas

A saída está justamente no que já está previsto. A indústria petrolífera e química devem cumprir a legislação ambiental; investimentos devem ser feitos no setor de prevenção e segurança; governos devem ser íntegros e soberanos tratando-se de punição e fiscalização. E, ao longo prazo, os investimentos em energias alternativas como a eólica, solar, biomassa entre outras, devem ser postas em prática. Nesta decisão todos os setores devem estar alinhados.

Quando falamos em investimentos no setor energético devemos ser no mínimo prudentes, pois, em fontes como a nuclear, uma simples falha pode significar tragédias terríveis como a de Three Mile Island nos EUA e Chernobyl na Ucrânia, esta última matando cerca de 2.500 pessoas e afetando a vida de outras milhares.

Mais do que o óleo derramado no mar, muito além da fumaça negra e carregada dos ares das grandes cidades, fora a terra podre e intoxicada, temos que enfrentar um novo desafio, a despoluição de nossas idéias. Muitas vezes a sujeira que destrói ecossistemas inteiros vem acompanhada de pensamentos dissimulados, gananciosos e intransigentes que, mais tarde, se transformam em grandes desastres.

Para combatermos e evitarmos essas tragédias temos que ter a exata noção de suas causas e efeitos. Precisamos estar centrados, e usarmos o bom senso, aplicarmos as leis e termos a certeza que tudo isso afetará nossas vidas. Porque tão negro e sujo quanto o óleo derramado, tão nocivo e vergonhoso quanto as substâncias tóxicas despejadas em nossa Terra e nossas vidas, parece ser a impetuosa e assustadora mente poluída de seus responsáveis, que, a cada dia, apresentam novos “produtos’’ de suas indústrias do terror.

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  Postado às 17h35
 
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  27/01/2012
  Há lixo que vem para o bem
 

A Prefeitura de São Paulo irá cobrar a partir de abril deste ano, um novo tributo da população. Uma bi-tributação (ato inconstitucional), segundo alguns especialistas. Os paulistanos terão que se acostumar com a nova taxa do lixo, como se já não bastasse a enxurrada de impostos paga pelo cidadão. A “idéia” da prefeita Marta Suplicy (PT) aprovada na Câmara Municipal irá retirar do bolso dos contribuintes, um valor entre R$ 6,14 e R$ 61,36 por mês, de acordo com a quantidade de lixo produzida por cada domicílio (resultado obtido através de uma média).

Por Pedro Isal

Mas o que pode haver de positivo nesta situação? Nos últimos meses houve um aumento significativo na procura de locais para a coleta seletiva e um acréscimo na venda de produtos relacionados a separação e armazenamento do lixo, e mais, uma crescente cobertura da mídia sobre o assunto.

Tratando-se de uma cidade com as proporções de São Paulo, (hoje, com cerca de 10 milhões de habitantes) que produz uma quantidade assustadora de lixo por dia, (6.946,5 toneladas/dia) e que vê a situação de seus aterros sanitários cada vez mais complicada, (com estimativa média de mais 5 anos de utilização) a nova taxa pode ser um mal que vem para o bem.

A coleta seletiva é mais do que uma boa idéia, pode ser a grande solução para um problema que vem crescendo cada vez mais nas grandes metrópoles. A procura por técnicas e informações sobre a reciclagem de lixo, à fim de driblar a tal taxa, tem um resultado positivo, porém, a conscientização ainda é o meio mais eficaz de fazê-la. Afinal, resolver uma questão em uma prova e acertar por adivinhação ou chute tem uma diferença muito grande em entender o problema e saber porque deverá resolvê-lo. No meio deste turbilhão de lixo e taxas, a população têm a oportunidade de enxergar e exercer um dos conceitos básicos da ecologia social: a reciclagem. O triste desta história, é que essa, não foi nem de longe a intenção da Prefeitura, por mais que digam o contrário.

Temos que aprender a cultivar essa cultura ecológica por espontânea vontade e não através de taxas, tributos ou ameaças do colapso da vida natural. Se tivermos que condicionar nossas ações através de penalidades, seremos apenas uma bando de burros (em ambos os sentidos) que precisa por vezes de algumas chibatadas no lombo, para que siga em frente. Se atrelarmos nossas ações sociais às medidas descabidas do Estado estaremos condenados a um triste futuro de taxas e lixos.

Ficamos na esperança de que nem todo o lixo, tampouco a tal taxa vá simplesmente para o lixo.

O conteúdo dos artigos publicados nesta seção não reflete necessariamente o ponto de vista da Agência Ambiental Pick-upau, sendo de inteira responsabilidade de seus autores.

 
  Postado às 17h35
 
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  27/01/2012
  Em nome da liberdade...
 

Que os Estados Unidos são mestres em criar psicopatas não é nenhuma novidade, muito pelo contrário a história recente nos prova o quanto isso é freqüente na sociedade norte-americana. Mas um cidadão com tais aspirações em uma posição tão importante como a de presidente da nação, talvez seja uma novidade. Não há adjetivos mais brandos para George W. Bush e sua equipe, como não há para Saddam ou qualquer outro ditador.

Por Pedro Isal

Após tantas declarações e atitudes, no mínimo absurdas, e agora diante deste holocausto promovido na terra de Saddam Hussein – diga-se de passagem também não é nenhuma flor que se cheire, pois, seu currículo é repleto de atrocidades e violações contra os direitos humanos. Mas deixemos o ditador árabe para outra oportunidade. Mesmo porque, parece não estar mais em questão a política iraquiana. Bush à descartou, junto com a ONU, o desejo da maioria das nações e todas as possibilidades de se legitimar a guerra, ainda que seja infinitamente discutível a tal legitimidade.

Agora com o conflito em seu auge de destruição, as dúvidas sobre o verdadeiro motivo da invasão ao Iraque são ainda maiores.

Seria realmente uma guerra em nome da liberdade iraquiana? Seria verdadeiro, o de desejo de Bush à liberdade? Então porque discutisse, a introdução de um governo transitório ou provisório regido por um general e uma leva de ministros norte-americanos no Iraque? Seria justa a tal guerra, onde os ataques ditos

cirúrgicos atingem hospitais – talvez venha daí o nome? Seria essa, a guerra de mísseis “inteligentes” que caem sobre o Irã – o vizinho iraquiano –, em áreas civis, mercados, museus e universidades, e claro, às vezes em alguns prédios do governo de Saddam? Qual seria o verdadeiro motivo deste conflito?

Talvez essas perguntas jamais sejam respondidas. No entanto, O que se pode deduzir através dos últimos acontecimentos, é que a guerra parece sim, ser contra um regime ditador e fanático, mas parece também, uma batalha a favor da liberdade – sobretudo dos americanos – uma resposta a eficiente, ainda que cruel, derrubada das torres gêmeas e da fracassada busca no Afeganistão. Pelo menos para os norte-americanos parece um bom motivo para que Bush gaste bilhões de dólares e vidas no deserto do Iraque.

Em sua batalha George W. Bush é tão Saddam Hussein quanto Osama Bin Landen e como presidente é um ótimo aspirante a déspota. A guerra de Bush nos mostra que o petróleo, pois ainda não me convenceram do contrário, não move apenas nossos carros, mas também nossas vidas.

Temo que após 20 de março de 2003, a situação do mundo moderno fique tão negra quanto o óleo que jorra em abundância na terra de Saddam. Temo que esse, esteja valendo muito mais que aquele que ainda corre em nossa veias.

O conteúdo dos artigos publicados nesta seção não reflete necessariamente o ponto de vista da Agência Ambiental Pick-upau, sendo de inteira responsabilidade de seus autores.

 
  Postado às 17h35
 
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  27/01/2012
  O lixo dos outros é melhor que o nosso
 

Esse parece ser o conceito adotado pela Casa Civil da Presidência e pelo próprio presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva.

Por Pedro Isal

Ao liberar, através de um decreto presidencial, a importação de pneus usados, o país abre as portas para a compra de lixo dos países membros do Mercosul e de países do Primeiro Mundo – o que já vinha acontecendo. Como se já não bastasse ter que engolir os absurdos impostos pelos países ricos, agora teremos, com o aval de um decreto, que convivermos com o resto que não serve para nossos vizinhos do Mercosul. A liberação para a importação de pneus usados recauchutados ou não, tem um aspecto demasiadamente lobbysta, impulsionado pelo Tribunal Arbitral do Mercosul, por países vizinhos e até empresas.

Será que já começou. O governo já estaria abrindo a porteira. O que o presidente Lula acha que vamos fazer com esses (restos) pneus. Será que Lula sabe que a vida útil de uma material nesta condição é quase 60% inferior ou que um produto desta natureza atrelado as péssimas condições de nossas estradas, da qual foram cortadas verbas para manutenção, podem levar a acidentes e até a morte de seus usuários. Será que o presidente sabe que ainda estamos engatinhado no processo de reciclagem comum, quem dera a de pneus – apesar de ter havido um aumento significativo nos últimos anos. Isso sem falar da dengue, uma prato, quer dizer um pneu cheio para o mosquito e uma epidemia. Que vantagem leva Maria nesta história. Quais são os benefícios para o Brasil, uma diferença na balança comercial. Que tipo de política é essa?

Quando nome de Marina Silva foi confirmado para o Ministério do Meio Ambiente, o setor “mais interessado” aplaudiu de pé, inclusive o que vos escreve. Mas de que adianta uma pessoa deste gabarito, se nem ao menos é consultada, afinal o ministério de Marina diz que a conversa ainda não está encerrada. Porém, o fato é que o decreto já saiu no Diário Oficial. Que o nosso excelentíssimo presidente da República pouco entendia de meio ambiente eu já desconfiava – apesar da indicação de Marina Silva, que parecia mais que óbvio –, mas começar desta forma é um mau presságio.

Além de termos que aceitar este desvario, somos obrigados a ter que descer goela abaixo uma explicação no mínimo, absurda. Uma das justificativas para a importação do produto de qualidade e procedência duvidosa é o custo mais baixo que o produto brasileiro e a qualidade superior.

A conta de tudo isso é muito simples, e ela não aparece na balança comercial: pneus usados têm tempo de vida útil reduzido, ou seja, vão para o lixo mais rápido. E o que fazemos com esse resíduo? Exportamos? Quem irá comprar nosso lixo? Afinal o lixo dos outros é melhor que o nosso.

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  Postado às 17h35
 
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  27/01/2012
  Nova Gestão Ambiental
 

Artigo do secretário do meio ambiente, Xico Graziano, sobre os avanços na gestão ambiental do Estado de São Paulo

Por Xico Graziano

Unificar e reforçar o licenciamento ambiental do Estado de São Paulo. Aqui reside um dos pilares da gestão estratégica da Secretaria do Meio Ambiente. Enquadrado entre os 21 projetos ambientais do governo Serra, o processo de licenciamento de empreendimentos segue agora a fórmula dos 3+: mais rápido, mais transparente e mais rigoroso.

Antiga aspiração dos técnicos do sistema ambiental, conjuntamente com o setor empresarial, a idéia do licenciamento unificado finalmente saiu do papel. A recente Lei Estadual 13.542/2009 aglutinou, na “nova” CETESB, as atribuições até então espalhadas em quatro repartições públicas, quais sejam, a DEPRN, o DUSM, o DAIA e a própria CETESB. Sonho virando realidade.

Porta única do sistema ambiental para o empreendedor. Antes, o cidadão percorria às vezes um verdadeiro calvário na obtenção de sua licença de funcionamento. Agora, vai a apenas uma repartição, ganhando tempo graças à crescente desburocratização do processo de licenciamento. A construção de um modelo de eficiência para a gestão pública.

Estamos ainda ampliando a rede descentralizada da CETESB, no interior e na região metropolitana paulista, instalando 56 Agências Ambientais unificadas, tendo sido já inauguradas 42 delas. A revisão de procedimentos e a otimização dos recursos humanos no atendimento contribuíram para a redução do tempo de análise dos processos de licenciamento. Nos casos das atividades com EIA/RIMA (Estudo de Impacto Ambiental/Relatório de Impacto Ambiental) a redução foi, em média, de 543 para 293 dias, entre 2004 e 2008. Para os aterros sanitários, o tempo de EIA/RIMA foi abreviado de 867 para 266 dias de 2004 a 2009 e de RAP (Relatório Ambiental Prévio) das usinas de álcool de 341 para 217 dias neste mesmo período. Trabalho mensurável, com resultados.

Mudou também a metodologia de análise. Aquilo que anteriormente se tratava separado, como a supressão de vegetação, agora se integra com o combate da poluição. O DEPRN, que verificava supressão de vegetação e recuperação de APP (Área de Preservação Permanente), se encaixou dentro da CETESB, que apenas analisava os padrões de emissão. Agora os técnicos analisam o conjunto dos impactos causados pelo empreendimento. A agenda verde se aproximou da agenda cinza.

Neste processo, a CETESB se renova, operando com maior capacidade. E a Secretaria de Estado reforça sua função como órgão central, formulador e normatizante das políticas públicas de meio ambiente. Ambos, junto com a Polícia Militar Ambiental, fazem a fiscalização ambiental. Os resultados aparecem: em 2007 apenas 27% dos postos de gasolina funcionavam com LO, a licença de operação. Em dois anos, essa percentagem subiu para 47%. A partir de fevereiro de 2010, nenhum posto de gasolina estará aberto na ilegalidade ambiental.

O novo modelo de gestão ambiental conta, desde maio de 2009, com a nomeação de 300 especialistas ambientais. Todos concursados, compõem agora um quadro próprio de funcionários estáveis, com carreira em cinco níveis de progressão. Até então, funcionava a SMA às custas do empréstimo de empregados da CETESB e da Fundação Florestal. A atuação integrada da SMA, da Polícia Ambiental e da CETESB na fiscalização ambiental movimenta uma equipe de 15 especialistas ambientais na sede da CBRN, outros 106 técnicos distribuídos nos centros regionais, além de 2.200 policiais militares. Jogo duro na defesa ecológica.

Tem mais. Após 26 anos de espera, o Conselho Estadual do Meio Ambiente (Consema) foi regulamentado pela Lei 13.507/2009, transformando-se em um órgão normativo e recursal do Sistema de Meio Ambiente. Palco de discussão das políticas públicas, o Consema vai instalar unidades descentralizadas junto às bacias hidrográficas do estado, aproximando-se dos dilemas da sociedade local.

Neste contexto, o Projeto “Município Verde/Azul” exerce um papel formidável ao estimular a participação municipal na política de meio ambiente. Um dos resultados desta ação se verifica no aumento do número de Conselhos Municipais de Meio Ambiente, que somavam 236 órgãos em 2007 e, agora em 2009, totalizam 490 conselhos municipais. Isto permite a participação da sociedade no planejamento bem como na cobrança da agenda municipal em prol da sustentabilidade.

Conforme se percebe, um novo modelo de gestão ambiental se consolida no Estado de São Paulo. Resultados animadores surgem, no licenciamento, na fiscalização dos recursos naturais, na implementação das políticas. Por fim, o mais importante. Não se constrói o futuro sem investir na educação. Por isso nosso modelo de gestão inclui, no seu âmago, a educação ambiental. Somente ela garantirá a sustentabilidade das próximas gerações.

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  Postado às 17h35
 
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  27/01/2012
  Esperanças Renovadas? Avatar Ambiental
 

Aconteceu de tudo na grande conferência ambiental promovida pela ONU, em dezembro, na Dinamarca. Chefes de Estado fazendo cartaz, ONGs mostrando força, lobistas exibindo poder, cientistas ostentando categoria, diplomatas negociando, jornalistas aparecendo. Mistura de séria reflexão com festa ecológica.

Por Xico Graziano

Temas variados da agenda ambiental desfilaram nos incontáveis eventos paralelos da conferência, enquanto os representantes dos governos nacionais pouco se entendiam na sala da reunião oficial. Nada escapou do debate. Vale a pena destacar aqui as principais questões discutidas em Copenhague. Um resumo breve e didático.

Primeiro, claro, sobre o aquecimento global inexistia qualquer ceticismo naquele gelado inverno. Ninguém duvida que o planeta esteja enfrentando um "efeito estufa" ampliado pelos gases que, em razão da ação humana, ou antrópica, aprisionam parte da radiação solar na atmosfera. Medidas urgentes e radicais serão necessárias para impedir a continuidade do deletério processo, estancando o problema até 2050. O gás carbônico (CO2), nunca considerado maléfico na agenda da poluição, agora se transforma em vilão. Pequenos países formados por ilhas oceânicas se apavoram com o assunto. Afinal, derretendo as geleiras e subindo o nível do mar, simplesmente poderão desaparecer. Por isso a angustiada Tuvalu, um pequenino Estado formado por nove atóis polinésios, deu o tom na COP 15.

Segundo, debatia-se intensamente sobre como financiar as políticas de mitigação do fenômeno climático. Mitigar significa amenizar, emitir menos gases estufa no espaço. Mudanças nos processos de produção, pesquisa de novas tecnologias, investimentos nas energias renováveis, combate ao desmatamento, quem vai pagar a conta dessas imprescindíveis ações? Os países mais pobres, ainda em desenvolvimento, querem que as nações ricas banquem a modificação de suas economias. Afinal, foram eles que, há muito mais tempo, provocaram o problema climático. Sob esse prisma, a reunião da Dinamarca parecia uma grande conferência econômica, não ambiental.

Terceiro, discutiu-se bastante sobre a responsabilidade da lição de casa. Governos, empresas, entidades ambientalistas, governos subnacionais, cientistas, será necessário articular as várias forças da sociedade em prol do benefício ambiental. Nesse quesito, os Estados de São Paulo e da Califórnia se sobressaíram, mostrando, por intermédio de seus governadores, José Serra e Arnold Schwarzenegger, a força do poder local. Pensar globalmente, agir localmente: chave para a educação ambiental.

Em quarto lugar, todos defenderam a necessidade de as propostas para enfrentar mudanças climáticas serem mensuráveis, reportáveis, conferíveis. Há que ter metas, cronogramas, recursos, gente capaz de conduzir as políticas de defesa ambiental. Ninguém aguenta mais apenas o discurso carregado de boas intenções. O drama da poluição exige menos retórica, mais ação concreta. Uma nova fase do ambientalismo se inaugura, a da gestão ambiental com resultados. Mais que discutir, fazer.

Quinto, as energias renováveis destacaram-se contra as energias fósseis do petróleo e do carvão. Nesse aspecto o Brasil avançou divulgando o etanol, combustível elaborado a partir da biomassa, embora tenha tomado poeira na energia eólica. Carros elétricos se distinguiram, habitação sustentável virou moda na construção civil. Eficiência energética tornou-se coqueluche na Europa.

Da Amazônia ao vegetarianismo, temas específicos atarefaram os militantes ecológicos. O Bella Center, local do evento, era um grande happening. Só faltou, mesmo, uma questão, eternamente esquecida das discussões ambientalistas: a demografia. A pegada ecológica, conceito recentemente desenvolvido, aproxima-se da crítica a esse fantasma do crescimento populacional. Continua de pé, porém, o maior tabu da ecologia.

Como não poderia deixar de acontecer, líderes populistas aproveitaram o clima da conferência de Copenhague para fazer seu proselitismo político. O discurso mais fácil sugeria xingar os ricos em nome dos pobres, reduzindo a questão ambiental a uma disputa entre o Norte e o Sul, relembrando a época do Terceiro Mundo. Lula e Chávez, por certo, capitanearam essa demagogia ambiental.

Copenhague não configurou um fracasso total. Quando milhares de pessoas, bem acima das expectativas, representando entidades variadas, se dedicam tão apaixonadamente a uma causa, como acontece atualmente com a política ambiental, o resultado aparece. Se não de imediato, firma-se no momento seguinte. Aqui está uma leitura positiva da COP 15. Nunca a ecologia esteve tão em voga, discutida amplamente, envolvendo inclusive sociedades periféricas. Ganho na certa.

Inexistiu um fecho da reunião, é verdade. O documento final aprovado mostrou-se pífio ante o tamanho do desafio colocado pelas mudanças climáticas. Quem aguardava um novo caminho, com metas obrigatórias de redução dos gases de efeito estufa, acabou frustrado. Mandatório murchou para declaratório.

Mesmo assim, as mudanças estão em marcha. Modifica-se o padrão da economia mundial. Empresas redefinem suas estratégias competitivas, governos reveem seus planos, a sociedade grita e empurra. Após dois séculos de industrialização explorando a natureza, nasce novo paradigma da economia de baixo carbono. A economia verde do futuro.

Ano-novo renova as esperanças de vida melhor. Tomara que neste 2010 uma governança global se firme para enfrentar o terrível drama do aquecimento planetário. No Brasil a torcida deseja que as eleições presidenciais incorporem o desenvolvimento sustentável no seu âmago. Um avatar ambiental.

Feliz ano-novo!

*Artigo originalmente publicado no jornal O Estado de S. Paulo no dia 12/01/2010, na seção Espaço Aberto O Estado de São Paulo - 12/01/2010*

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