Lista
de aves norte-americanas ganha atualização,
veja o status das espécies
A
lista de verificação, publicada desde 1886,
é atualizada em suplementos anuais
10/12/2025 – O 66º
Suplemento da Lista de Verificação de Aves
da América do Norte, publicado pela Sociedade Ornitológica
Americana em Ornithology, traz mudanças importantes
na taxonomia de aves da América do Norte, Central
e Caribe. Entre os destaques estão a divisão
das espécies Myiarchus nuttingi, Vireo gilvus e Larus
argentatus, a inclusão de subfamílias em Laridae
para andorinhas-do-mar-brancas e anãs, e a fusão
de três famílias de oscines caribenhos com
nove primárias.
A Lista de Verificação
de Aves da América do Norte, publicada desde 1886,
é atualizada anualmente pelo Comitê de Classificação
Norte-Americana (NACC) da AOS. Ela serve como referência
taxonômica e nomenclatural para pesquisa, conservação,
manejo e educação, sendo reconhecida como
autoridade por cientistas, governos, ONGs e observadores
de aves. As atualizações são baseadas
em propostas revisadas anualmente pelo NACC.
Até recentemente,
o papa-moscas de Nutting (Myiarchus nuttingi) era considerado
uma única espécie com três subespécies.
No entanto, uma análise detalhada de gravações
sonoras e outros dados levou à elevação
de M. flavidior ao status de espécie distinta, agora
chamada papa-moscas salvadorenho. A proposta, feita por
Roselvy Juárez, John van Dort e Oscar Johnson, destacou
que os dois táxons coexistem em várias regiões
sem evidência de cruzamento, apresentam cantos claramente
distintos e ocupam habitats diferentes, o que reforça
a separação como espécies independentes.
Uma proposta apresentada
por Carla Cicero ao NACC resultou na elevação
de subespécies de Vireo gilvus ao status de espécies
distintas. Com base em diferenças genéticas,
vocais, de muda e migração, especialmente
evidentes onde os grupos se reproduzem parapatricamente,
o subgrupo ocidental (swainsoni) tornou-se Vireo-toutinegra-ocidental,
e o subgrupo oriental (gilvus) passou a ser Vireo-toutinegra-oriental,
apesar de haver baixos níveis de hibridização
entre eles.
Novas evidências moleculares
mostraram que os gaviões do gênero Accipiter
não formam um grupo monofilético, levando
à proposta de Shawn M. Billerman para reestruturar
a classificação dentro da família Accipitridae.
A revisão incluiu a criação de dois
novos gêneros, entre eles Astur, para o qual Accipiter
cooperii (gavião-de-cooper) e outras espécies
foram transferidas. Apesar das semelhanças morfológicas
entre A. cooperii e A. striatus (gavião-de-asa-afiada),
este último permanece em Accipiter, o que pode causar
surpresa entre observadores de aves.
Apesar das semelhanças
visuais, Accipiter cooperii (gavião-de-cooper) e
A. striatus (gavião-de-asa-afiada) não são
tão próximos quanto se pensava, devido à
convergência evolutiva comum entre aves de rapina.
Estudos recentes mostraram que os gaviões-de-asa-redonda
são mais próximos das espécies agora
classificadas no gênero Astur do que estas são
de Accipiter. Com isso, várias espécies foram
transferidas para Astur, como A. gundlachi, A. bicolor,
A. gentilis e A. atricapillus. Já A. soloensis foi
movido para o novo gênero Tachyspiza. Além
disso, a família Laridae também passou por
mudanças taxonômicas significativas.
O complexo de gaivotas do
gênero Larus, conhecido por sua complexidade taxonômica,
passou por uma revisão que resultou na divisão
de Larus argentatus em quatro espécies distintas:
L. argentatus (gaivota-prateada europeia), L. vegae (gaivota-vega),
L. smithsonianus (gaivota-prateada americana) e L. mongolicus.
A separação foi baseada em diferenças
genéticas, fenotípicas, ecológicas
e vocais. Apesar de serem próximas e ainda hibridizarem,
estudos mostraram que essas aves não formam um grupo
coeso, o que reforça a necessidade da reclassificação.
A subfamília Sterninae,
da família Laridae, foi revisada após estudos
mostrarem que algumas andorinhas-do-mar são mais
distintas do que se pensava. Com base em proposta de H.
Douglas Pratt e Eric VanderWerf, espécies dos gêneros
Gygis e Anous foram transferidas para novas subfamílias,
Gyginae e Anoinae. A revisão revelou que andorinhas-do-mar-brancas
e anãs não são tão próximas
quanto se acreditava. Além disso, Gygis candida e
G. microrhyncha foram reconhecidas como espécies
distintas de G. alba, que agora é chamada andorinha-do-mar-branca-do-atlântico.
Uma proposta de Kevin J.
Burns resultou na fusão de duas famílias de
oscines caribenhos em uma nova família chamada Phaenicophilidae,
ou Tanagers das Grandes Antilhas, que inclui duas subfamílias
e nove espécies. Estudos filogenéticos moleculares
mostraram que essas espécies formam um grupo monofilético,
fruto de uma radiação endêmica no Caribe.
As espécies originalmente da família Phaenicophilidae
foram realocadas para a subfamília Phaenicophilinae,
enquanto as das famílias Nesospingidae e Spindalidae
passaram a compor a subfamília Spindalinae.
Saiba mais: R. Terry Chesser
et al., Sexagésimo sexto suplemento da lista de verificação
de aves norte-americanas da Sociedade Ornitológica
Americana, Ornitologia (2025). DOI: 10.1093/ornithology/ukaf015
Criado em 2015, dentro do
setor de pesquisa da Agência Ambiental Pick-upau,
a Plataforma Darwin, o Projeto Aves realiza atividades voltadas
ao estudo e conservação desses animais. Pesquisas
científicas como levantamentos quantitativos e qualitativos,
pesquisas sobre frugivoria e dispersão de sementes,
polinização de flores, são publicadas
na Darwin Society Magazine; produção e plantio
de espécies vegetais, além de atividades socioambientais
com crianças, jovens e adultos, sobre a importância
em atuar na conservação das aves.
Da Redação,
com informações de agências internacionais
Matéria elaborada com auxílio de inteligência
artificial
Fotos: Reprodução/Pixabay