‘Bússola’
no fígado auxilia pombos a se orientarem
Células
no órgão da ave detecta o campo magnético
da Terra, diz pesquisa
21/07/2026 – Pombos
são capazes de retornar ao seu local de origem mesmo
após serem soltos a grandes distâncias, chegando
a quase mil quilômetros, independentemente das condições
climáticas ou do horário. Essa habilidade,
usada historicamente pelos humanos, já era associada
à percepção do campo magnético
terrestre, embora o mecanismo exato dessa orientação
ainda não fosse completamente compreendido.
Um estudo publicado na revista
Science por pesquisadores da Universidade de Bonn e do Instituto
Max Planck de Comportamento Animal sugere que a capacidade
dos pombos de se orientar pelo campo magnético terrestre
pode estar ligada ao fígado. Segundo a pesquisa,
macrófagos hepáticos que acumulam ferro durante
a degradação de glóbulos vermelhos
poderiam ter propriedades quânticas capazes de atuar
como uma espécie de “bússola interna”,
auxiliando na navegação das aves.
Os pesquisadores observaram
que, quando as células imunológicas do fígado
dos pombos são comprometidas, as aves têm dificuldade
para se orientar e retornar ao seu local de origem. Segundo
Christian Kurts, os resultados indicam que essas células
atuam como sensores de campos magnéticos, revelando
um mecanismo até então desconhecido de percepção
magnética em animais.
Os cientistas já
sabiam que aves migratórias e pombos-correios usam
o campo magnético da Terra para se orientar, mas
ainda não havia clareza sobre como esse mecanismo
funcionava. Ao longo do tempo, surgiram hipóteses
de que essa percepção ocorreria pela visão,
com moléculas sensíveis à luz nos olhos,
ou por partículas magnéticas no bico, mas
nenhuma delas tinha sido confirmada de forma convincente.
Os pesquisadores usaram
técnicas de magnetometria e separação
de células magnéticas para investigar onde
os pombos poderiam detectar o campo magnético da
Terra, analisando olhos, bico, cérebro, além
de fígado e baço. O fígado apresentou
a maior concentração de ferro, sugerindo ser
o principal candidato para essa função. Segundo
Ulf Wiedwald, o ferro presente no órgão se
forma em nanopartículas de óxido que tornam
as células sensíveis a campos magnéticos.
Em experimentos com aves
treinadas a retornar de mais de 20 km, observaram que pombos
sem essas células perderam a capacidade de se orientar
em dias nublados, quando não havia referência
solar. No entanto, quando o sol estava visível, eles
ainda conseguiam se orientar parcialmente, sugerindo o uso
de outros sinais além do campo magnético.
Os pesquisadores descobriram
que os macrófagos ricos em ferro no fígado
dos pombos ficam próximos a fibras nervosas, o que
pode explicar como os sinais do campo magnético são
transmitidos ao cérebro para orientar o movimento
das aves. Segundo Clivia Lisowski, esse é o primeiro
indício concreto de um mecanismo interno de percepção
magnética. Os autores também sugerem que esse
tipo de sensibilidade pode existir em outros animais, como
tubarões, e possivelmente até em seres humanos,
embora ainda não seja bem compreendido.
Os humanos usam pombos por
suas habilidades de orientação desde a Antiguidade,
embora não se saiba exatamente quando essa prática
começou. Eles aparecem em diversas culturas antigas
como mensageiros, sendo utilizados pelos gregos para anunciar
vitórias olímpicas e pelos romanos para comunicação
militar.
Durante a Primeira Guerra
Mundial, pombos eram usados para levar mensagens entre a
linha de frente e os comandos militares, chegando a ser
alvos de atiradores. Na Segunda Guerra Mundial, o serviço
de inteligência britânico MI14(d) realizou a
Operação Columba, na qual mais de 16 mil pombos
foram enviados de paraquedas para territórios ocupados
pela França e países vizinhos. A população
local enviava informações militares à
Grã-Bretanha por meio das aves, ajudando a identificar
posições inimigas, defesas costeiras e bases
estratégicas.
Criado em 2015, dentro do
setor de pesquisa da Agência Ambiental Pick-upau,
a Plataforma Darwin, o Projeto Aves realiza atividades voltadas
ao estudo e conservação desses animais. Pesquisas
científicas como levantamentos quantitativos e qualitativos,
pesquisas sobre frugivoria e dispersão de sementes,
polinização de flores, são publicadas
na Darwin Society Magazine; produção e plantio
de espécies vegetais, além de atividades socioambientais
com crianças, jovens e adultos, sobre a importância
em atuar na conservação das aves.
Da Redação,
com informações de agências internacionais
Matéria elaborada com auxílio de inteligência
artificial
Fotos: Reprodução/Pixabay