Abutres-de-capuz
no Chade: Investigando uma espécie criticamente ameaçada
no coração da África
Os abutres enfrentam diversas ameaças, como perda
de habitat, falta de alimento, eletrocussão e envenenamento
06/10/2026 – Na África
Ocidental, os matadouros se tornaram importantes para a
sobrevivência do abutre-de-capuz, uma espécie
criticamente ameaçada. Antes, essas aves viviam próximas
aos humanos e ajudavam na eliminação de resíduos.
Porém, a transformação da paisagem
e a redução das áreas naturais e da
fauna diminuíram suas fontes de alimento, fazendo
dos matadouros um dos poucos locais onde conseguem encontrar
comida com segurança.
Antigamente, era comum encontrar
centenas de abutres perto dos matadouros na África
Ocidental. Porém, durante uma pesquisa em Gana, foi
encontrado apenas um abutre-de-capuz em um grande matadouro
que oferecia bastante alimento, mostrando a forte redução
da população da espécie.
Os abutres enfrentam diversas
ameaças, como perda de habitat, falta de alimento,
eletrocussão e envenenamento. Na África Ocidental,
porém, a caça para uso em rituais e crenças
tradicionais é um dos principais fatores de seu declínio.
No Togo, por exemplo, uma área que antes abrigava
mais de 60 abutres-de-capuz ficou sem nenhum após
caçadores atraírem e matarem as aves com iscas.
O Chade pode ser um importante
refúgio para abutres africanos ameaçados,
mas havia poucas informações sobre suas populações
e sobre a visão das comunidades locais. Para investigar
a situação, um pesquisador avaliou abutres
em 10 matadouros e um aterro sanitário, além
de entrevistar 93 pessoas sobre as aves, suas ameaças
e a relação da população com
elas.
A pesquisa no Chade revelou
uma situação preocupante: em seis dos 11 locais
analisados não havia nenhum abutre. Nos outros cinco,
foram encontrados apenas de dois a 33 indivíduos
por local. Com base nesses dados, os pesquisadores estimaram
a existência de cerca de 113 abutres-de-capuz em N'Djamena
e arredores.
A quantidade de alimento
disponível não determinou a presença
dos abutres em N'Djamena e arredores. Mesmo no maior matadouro,
onde eram abatidos até 250 bovinos por dia, não
foram encontrados abutres. Eles eram mais comuns em áreas
verdes, menos movimentadas e mais distantes da capital.
Os abutres parecem evitar
locais com muita presença humana, possivelmente devido
à perturbação e ao risco de envenenamento.
Apesar disso, no Chade a maioria das pessoas valoriza e
apoia a proteção dessas aves: 89% dos entrevistados
sabiam que elas são protegidas por lei e 97% consideravam
importante protegê-las. Porém, poucas pessoas
reconheciam o envenenamento e a caça ilegal como
ameaças, já que os rituais envolvendo abutres
são pouco comuns no país.
Apesar da distância,
caçadores de outros países ainda podem chegar
ao Chade para capturar ou matar abutres destinados ao comércio
internacional, muitas vezes com ajuda local. Mesmo com a
redução da população, ainda
existem abutres em N'Djamena, o que mostra que é
possível proteger e recuperar a espécie se
as ameaças causadas pelas atividades humanas forem
combatidas.
O governo do Chade tem demonstrado
compromisso com a conservação da vida selvagem,
como mostra a recuperação dos elefantes no
Parque Nacional de Zakouma. Para proteger os abutres-de-capuz,
são necessárias ações como conscientização
da população, combate à caça
e ao comércio ilegal e monitoramento contínuo.
Essas medidas podem ajudar a recuperar os abutres e beneficiar
outras espécies e as comunidades locais.
Saiba mais: Djekillamber
Djekadjim et al, Abundância, distribuição
e estado de conservação de abutres criticamente
ameaçados em N'Djamena e arredores, Chade, África
Central, Frontiers in Bird Science (2026). DOI: 10.3389/fbirs.2026.1726840
Criado em 2015, dentro do
setor de pesquisa da Agência Ambiental Pick-upau,
a Plataforma Darwin, o Projeto Aves realiza atividades voltadas
ao estudo e conservação desses animais. Pesquisas
científicas como levantamentos quantitativos e qualitativos,
pesquisas sobre frugivoria e dispersão de sementes,
polinização de flores, são publicadas
na Darwin Society Magazine; produção e plantio
de espécies vegetais, além de atividades socioambientais
com crianças, jovens e adultos, sobre a importância
em atuar na conservação das aves.
Da Redação,
com informações de agências internacionais
Matéria elaborada com auxílio de inteligência
artificial
Fotos: Reprodução/Pixabay