Garça-branca-grande (Ardea alba)
 
 
Ameaças
Mercado Livre é a única empresa a se recusar excluir produto nocivo à biodiversidade
Empresa argentina de comércio eletrônico ignorou dezenas de pedidos de exclusão
 

15/07/2021 – Quem se identifica com a causa da preservação do meio ambiente, tem prazer na observação de aves e compreende a importância de morcegos e outros animais silvestres para a vida no planeta, pode pensar mais na hora de fazer compras online. Para quem acredita que responsabilidade socioambiental, ética ambiental e sustentabilidade são importantes podem escolher alternativas ao Mercado Livre, a empresa parece não estar preocupada com esses conceitos.

Reprodução/Instagram Pick-upau

 

 

Quem já precisou entrar em contato com o Mercado Livre para fazer qualquer tipo de reclamação já conhece as dificuldades. Apesar do Código do Consumidor exigir uma série de garantias e direitos ao cidadão e do atual nível tecnológico em que vivemos a empresa não possui um canal direto com o consumidor, não tem um ombudsman, nem mesmo uma ouvidoria, enviar um e-mail é impossível, não há nenhum canal no site ou nas redes sociais para isso. Comentários nas redes sociais são sistematicamente selecionados pela empresa e o espaço de denúncias é totalmente inútil.

Mesmo com toda a argumentação técnica, científica, econômica, os alertas sobre riscos de conformidade, estratégico, de integridade e de reputação. Da informação de outras oito empresas que já haviam atendido a solicitação da Pick-upau, como Extra, Ponto Frio (Ponto), Casas Bahia, Carrefour, Magalu, Shoptime, Americanas e Submarino, o Mercado Livre ignorou sumariamente as dezenas de pedidos para a exclusão do equipamento “Espanta Pássaro Guardian 2 Eco À Gás Portátil Com Pedestal Fixo” e as solicitações sequer foram analisadas.


Reprodução/Maxpixel

 



Histórico
Há dois meses uma ativista da Agência Ambiental Pick-upau, ao realizar pesquisas de mercado de insumos para a organização se deparou com o equipamento intitulado “Espanta Pássaro Guardian 2 Eco À Gás Portátil Com Pedestal Fixo”. Uma espécie de bazuca que deveria ser conectado em um botijão de gás GLP, e que prometia, segundo sua descrição, espantar aves, roedores, morcegos e qualquer outro animal que pudesse ser considerado uma ameaça para sua produção.

Tudo parecia um erro naquele anúncio. Uma imagem agressiva, que nada combinava com a plataforma; o uso de gás GLP, por certo um risco imenso à vida, até o próprio anunciante alerta para uso longe de crianças; a ausência completa de estudos ou justificativas científicas que aquele equipamento não causaria danos à saúde humana ou a biodiversidade. Até o escárnio de chamar o produto de ‘eco’, querendo atribuir ao equipamento um teor ecológico que jamais teria.

Ruídos causam danos à saúde e a biodiversidade
Distúrbios antropogênicos têm sido apontados como a principal causa da crise mundial da biodiversidade (Brumm 2010a). Alguns distúrbios têm menos atenção de pesquisadores e conservacionistas porque seus efeitos são mais difíceis de medir, sobretudo quando afetam espécies em um nível subletal, como é o caso da poluição sonora (McGregor 2013). O ruído pode ser definido como qualquer som indesejado e, no contexto das interações sociais, ele interfere na detecção de um sinal e na transmissão de sua informação (Forrest 1994).

Nas últimas décadas houve um aumento muito grande da poluição sonora devido ao crescimento populacional, urbanização e globalização das redes de transporte e a estimativa é de que ela vai continuar em crescimento (Shannon et al 2016). Em geral o ruído proveniente de fontes humanas abarca um amplo espectro de frequência entre 50Hz a 7000Hz (Simmons & Narins 2018). O ruído desconhece fronteiras definidas, como as margens das rodovias, neste caso os animais estão sujeitos a uma substancial e descontrolada degradação da percepção de sons importantes para sua reprodução e sobrevivência (Barber et al. 2010).


Reprodução/Maxpixel

 



A poluição sonora advinda de atividades humanas é uma forma muito preocupante de poluição que pode ter impactos maciços na saúde humana e também em outros animais (Brumm and Slabbekoorn 2005). O assunto tem sido foco de pesquisa e regulação em humanos (Murphy and King 2014), e os resultados são preocupantes para a saúde, incluindo aumento do risco de doenças cardiovasculares (Babisch et al. 2005; Hansell et al. 2013), privação do sono (Fyhri and Aasvang 2010) e comprometimento cognitivo (Szalma and Hancock 2011).

Um relatório sobre o tema foi publicado pela Organização Mundial de Saúde, há alguns anos, estimando que só na União Europeia mais de 200.000 pessoas morrem todos os anos devido a doenças induzidas pelo ruído (OMS, 2009). Já se sabe que muitos dos efeitos potenciais do ruído audível antropogênico em humanos (Miedema and Vos 2003; Basner et al. 2014) se aplicam igualmente aos animais (Francis and Barber 2013; Shannon et al. 2016).

A poluição sonora pode ser um problema para as funções auditivas (Barber et al. 2010; Simmons and Narins 2018). As espécies geralmente ouvem um leque mais amplo de sons do que são capazes de produzir e, além disso, a audição continua a funcionar mesmo quando os animais não produzem sons, isso inclui atividade de sono ou hibernação, por exemplo. Isso significa que elas estão expostas continuamente aos efeitos do ruído ao seu redor (Barber et al. 2010). Dessa forma, a poluição sonora pode agir, por exemplo, como um estressor geral (Naguib 2013), influenciando vários processos vitais, desde regulação gênica (Cui et al. 2009) a processos fisiológicos como pressão arterial (Evans et al. 2001), resposta imune (Van Raaij et al. 1996; Cheng et al. 2011), medo (Campo et al. 2005) ou atenção e cognição (Cui et al. 2009). (Informações extraídas de Caorsi. V. Z., 2018).

A resposta a um estímulo estressor é essencial para a homeostase de um ser vivo e sua sobrevivência. O organismo reage sob condições de estresse, ativando e desativando o mecanismo de controle de várias funções, a fim de recuperar e manter a homeostase. Contudo, essas respostas podem ser insuficientes para restabelecer ou manter a homeostase, ou podem ser exageradas, representando risco de doenças. Portanto, o estresse pode ser definido como a soma de respostas físicas e mentais, causadas por determinados estímulos externos e que permitem ao indivíduo superar determinadas exigências do meio-ambiente (FRANCI, 2005). Em uma situação de estresse, o corpo se prepara para reagir a situações de ameaça e este processo aumenta o gasto de energia. Enquanto certa quantidade de estresse é necessária para a sobrevivência, o estresse prolongado pode afetar negativamente a saúde (BERNARD & KRUPAT, 1994).


Reprodução/Maxpixel

 



Em situações de estresse, ocorre a ativação de duas principais vias: o eixo hipotálamo-hipófise-adrenal (HHA), através do aumento da produção de cortisol e o sistema nervoso simpático, através da liberação de catecolaminas (Noradrenalina/ Adrenalina). A desregulação de qualquer um desses sistemas de estresse pode levar a distúrbios fisiológicos de vários outros sistemas, incluindo os sistemas imunológicos, cardiovascular, função metabólica e comportamento, levando a má adaptação da resposta ao estresse (MARQUES et al., 2010).

Os estímulos que causam o estresse podem ser classificados em quatro grupos: estressores físicos e químicos (calor, frio, barulho, radiação intensa e substâncias tóxicas); psicológicos (medo e frustração); sociais (um ambiente hostil e rompimento de relações) e os que alteram a homeostase vegetativa, como em casos de exercício intenso e hemorragias. Quanto à duração, os estímulos causadores de estresse podem ser ainda classificados como agudos ou crônicos (PACÁK & PALKOVITS, 2001). (Informações extraídas de Franzini de Sousa, C. C., 2015).

Empresa amarelou
O comportamento do Mercado Livre nem de longe é aquele demonstrado em suas campanhas publicitárias. Nesse episódio a empresa de comércio eletrônico apresentou sistematicamente um comportamento em desacordo com a responsabilidade socioambiental, direito dos consumidores e qualquer respeito à biodiversidade. Ao menos na Agência Ambiental Pick-upau a empresa foi banida de processos de compras, conforme prevê nosso Programa de Compliance. Não se trata de um cancelamento, sabemos que a empresa não terá prejuízos financeiros quanto a isso, mas ficará cada vez distante de ser uma companhia responsável e atenta ao meio ambiente.

O anúncio do equipamento “Espanta Pássaro Guardian 2 Eco À Gás Portátil Com Pedestal Fixo”só foi excluído depois de muita pressão sobre o marketplace Estrela 10, que mantinha os dois anúncios no Mercado Livre. As duas empresas precisam melhorar muito no quesito comunicação e responsabilidade socioambiental e cometem um erro estratégico quando acreditam que não devem satisfação à sociedade.

Criado em 2015, dentro do setor de pesquisa da Agência Ambiental Pick-upau, a Plataforma Darwin, o Projeto Aves realiza atividades voltadas ao estudo e conservação desses animais. Pesquisas científicas como levantamentos quantitativos e qualitativos, pesquisas sobre frugivoria e dispersão de sementes, polinização de flores, são publicadas na Darwin Society Magazine; produção e plantio de espécies vegetais, além de atividades socioambientais com crianças, jovens e adultos, sobre a importância em atuar na conservação das aves.

Da Redação, com informação técnicas da bióloga-chefe da Pick-upau, Viviane Rodrigues Reis
Fotos: Reprodução/Maxpixel

 
 
 
Biguá (Nannopterum brasilianus)
 
 
 

   
 
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