05/10/2026
– As aves vivem em ambientes com diferentes climas e temperaturas
e, por isso, precisam regular sua temperatura corporal. A refletância
das penas ajuda nesse processo, pois determina quanto da luz recebida
é refletida ou absorvida. Além da luz visível
(VIS), a luz solar contém radiação infravermelha
próxima (NIR), invisível aos humanos e com comprimentos
de onda entre 700 e 2.500 nanômetros.
Penas que refletem mais radiação
infravermelha próxima (NIR) absorvem menos calor, ajudando
as aves a se manterem frescas sem mudar sua aparência. Pesquisadores
da Universidade Sun Yat-sen estudaram como essa característica
evoluiu entre diferentes espécies e desenvolveram uma forma
de prever a refletância NIR das penas a partir de medidas
de luz visível (VIS) feitas em laboratório.
A pesquisa busca entender como
os animais trocam calor com o ambiente e como podem reagir às
mudanças climáticas. Nas aves, a refletância
das penas é importante para controlar a quantidade de radiação
solar absorvida e transformada em calor. Porém, estudos
anteriores focaram principalmente na luz visível, devido
à sua importância na comunicação, camuflagem
e sinalização.
A radiação infravermelha
próxima (NIR) corresponde a cerca de 55% da energia solar
que atinge as penas das aves e pode ajudar na sobrevivência
em ambientes quentes. Como a refletância NIR foi estudada
em poucas espécies, os pesquisadores investigaram se dados
de refletância da luz visível poderiam ser usados
para estimá-la e se essa relação varia conforme
a evolução, características físicas,
habitat e clima das aves.
Os pesquisadores analisaram a
refletância das penas de 1.980 aves de 439 espécies,
utilizando equipamentos que mediram a luz refletida entre 350
e 1.700 nanômetros. Foram estudadas seis regiões
da plumagem de cada ave. Esses dados foram combinados com resultados
de pesquisas anteriores, formando um conjunto com informações
de 531 espécies, distribuídas em 23 ordens e 106
famílias.
Os pesquisadores reuniram
um amplo conjunto de dados sobre a refletância das penas
e analisaram a influência de fatores como evolução,
formato das asas, migração, habitat, temperatura
e chuva. Os resultados mostraram uma forte relação
entre a refletância visível e a NIR: os dados da
luz visível explicam cerca de dois terços da variação
na refletância NIR. Assim, a refletância visível
pode ser usada para estimar a refletância NIR em espécies
que ainda não foram estudadas diretamente.
A pesquisa mostrou que não
existe uma única regra para relacionar a refletância
visível à NIR em todas as aves. Mesmo aves com cores
semelhantes podem refletir quantidades diferentes de radiação
infravermelha e, portanto, absorver diferentes quantidades de
calor. Além disso, aves de ambientes mais quentes tendem
a apresentar maior refletância NIR, que também está
relacionada à chuva, habitat, migração e
formato das asas, indicando uma possível adaptação
às condições ambientais.
As novas equações
podem ajudar a estimar a refletância NIR das penas e preencher
lacunas em dados científicos. Elas também podem
contribuir para modelos mais precisos sobre temperatura corporal,
perda de água e estresse térmico das aves, ajudando
a prever como elas reagirão ao aumento das temperaturas.
Porém, são necessários mais experimentos,
pois o estudo não avaliou diretamente a tolerância
das aves ao calor.
Os pesquisadores pretendem ampliar
os dados, especialmente sobre aves tropicais e espécies
com coloração estrutural complexa. Também
querem estudar diferenças de refletância entre populações,
sexos, idades e estações do ano. Além disso,
planejam investigar como a refletância NIR influencia a
temperatura corporal, a temperatura das penas, a perda de água
e a atividade das aves em condições reais.
A equipe pretende usar imagens
hiperespectrais e inteligência artificial para medir mais
rapidamente a refletância das penas em todo o corpo das
aves, inclusive a partir de espécimes de museus e fotografias.
Esses dados poderão melhorar os modelos que preveem como
diferentes aves serão afetadas pelo aquecimento global
e pelo calor extremo.
Saiba mais: Siqi He et al, Da
cor ao calor: ligando a refletância visível e infravermelha
próxima em aves, Proceedings of the Royal Society B: Biological
Sciences (2026). DOI: 10.1098/rspb.2025.3333
Criado em 2015, dentro do setor
de pesquisa da Agência Ambiental Pick-upau, a Plataforma
Darwin, o Projeto Aves realiza atividades voltadas ao estudo e
conservação desses animais. Pesquisas científicas
como levantamentos quantitativos e qualitativos, pesquisas sobre
frugivoria e dispersão de sementes, polinização
de flores, são publicadas na Darwin Society Magazine; produção
e plantio de espécies vegetais, além de atividades
socioambientais com crianças, jovens e adultos, sobre a
importância em atuar na conservação das aves.
Da Redação, com
informações de agências internacionais
Matéria elaborada com auxílio de inteligência
artificial
Fotos: Reprodução/Pixabay
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