18/12/2025
– Algumas aves reutilizam seus ninhos por séculos,
com gerações sucessivas adicionando novos materiais.
Esse comportamento é especialmente comum no abutre-barbudo
(Gypaetus barbatus), espécie ameaçada que constrói
ninhos em cavernas e penhascos das montanhas europeias, como os
Pireneus. O ambiente seco dessas regiões favorece a preservação
dos ninhos ao longo do tempo.
Pesquisadores na Espanha analisaram
12 ninhos históricos de abutres-barbudos entre 2008 e 2014.
O estudo, publicado na revista Ecology, examinou detalhadamente
os restos preservados em regiões do sul da Espanha, onde
a espécie se extinguiu há 70 a 130 anos, aplicando
métodos arqueológicos para estudar as camadas de
materiais acumuladas ao longo do tempo.
Os pesquisadores encontraram,
entre restos de ninhos de abutres-barbudos, 226 artefatos feitos
ou modificados por humanos, revelando aspectos dos ecossistemas
e das culturas antigas da região. Entre os itens estavam
um estilingue de capim-esparto, sapatos, uma seta de besta, couro
decorado e uma lança de madeira.
Alguns artefatos encontrados
nos ninhos tinham mais de 600 anos, segundo datações
por carbono 14 — como um sapato de cerca de 675 anos e um
couro decorado de 650 anos. Outros itens eram mais recentes, como
uma cesta de 150 anos. Graças à estrutura sólida
dos ninhos e às condições estáveis
das cavernas mediterrâneas, esses locais funcionaram como
verdadeiros museus naturais, preservando materiais históricos
em ótimo estado.
Além dos artefatos humanos,
os pesquisadores identificaram milhares de restos biológicos
— ossos, cascos, couros, cabelos e cascas de ovos. Essas
descobertas oferecem informações sobre mudanças
ambientais, espécies presentes e relações
ecológicas ao longo do tempo. Os cientistas destacam que
os ninhos podem servir como valiosas fontes para estudar ecologia,
biodiversidade e apoiar ações de restauração
e reintrodução de espécies.
Saiba mais: Antoni Margalida et
al., O Abutre-barbudo como acumulador de vestígios históricos:
Insights para futuros estudos ecológicos e bioculturais,
Ecologia (2025). DOI: 10.1002/ecy.70191
Criado em 2015, dentro do setor
de pesquisa da Agência Ambiental Pick-upau, a Plataforma
Darwin, o Projeto Aves realiza atividades voltadas ao estudo e
conservação desses animais. Pesquisas científicas
como levantamentos quantitativos e qualitativos, pesquisas sobre
frugivoria e dispersão de sementes, polinização
de flores, são publicadas na Darwin Society Magazine; produção
e plantio de espécies vegetais, além de atividades
socioambientais com crianças, jovens e adultos, sobre a
importância em atuar na conservação das aves.
Da Redação, com
informações de agências internacionais
Matéria elaborada com auxílio de inteligência
artificial
Fotos: Reprodução/Pixabay
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