29/12/2025
– Um estudo da Universidade da Sunshine Coast revelou que
a inversão sexual é mais comum em aves selvagens
do que se pensava. Analisando quase 500 aves de cinco espécies
diferentes, os pesquisadores descobriram que até 6% apresentavam
características físicas de um sexo, mas com genética
do sexo oposto. Isso sugere que a determinação sexual
nas aves pode ser mais fluida e persistir até a idade adulta.
A descoberta, publicada na Biology Letters, pode ter implicações
importantes para a conservação de espécies
ameaçadas.
As aves estudadas foram analisadas
após a morte, depois de passarem por hospitais de vida
selvagem no sudeste de Queensland por causas não relacionadas
ao sexo. Os pesquisadores examinaram seus órgãos
reprodutivos e realizaram testes de DNA para identificar o sexo
genético. A principal descoberta foi que 92% das aves com
inversão sexual eram geneticamente fêmeas, mas possuíam
órgãos reprodutivos masculinos. Também foi
identificado um kookaburra geneticamente macho com características
reprodutivas femininas, como folículos desenvolvidos e
um oviduto distendido, sugerindo produção recente
de óvulos.
A inversão sexual, comum
em peixes, anfíbios e répteis, é raramente
documentada em aves e mamíferos selvagens. Este estudo
pioneiro em aves australianas oferece uma base para entender o
fenômeno nessas populações. Segundo os pesquisadores,
compreender as causas e consequências da inversão
sexual é essencial para a conservação e para
aprimorar a precisão de estudos sobre aves. A presença
de indivíduos com sexo invertido pode impactar negativamente
o sucesso reprodutivo, levando a desequilíbrios na proporção
entre machos e fêmeas, redução populacional
e possíveis declínios em espécies ameaçadas.
A presença de
aves com inversão sexual desafia os métodos tradicionais
de identificação de sexo, como testes genéticos,
aparência ou comportamento. Segundo o Dr. Hall, é
crucial identificar corretamente o sexo e o estado reprodutivo
dos indivíduos, mas o estudo mostrou que o DNA nem sempre
reflete o sexo aparente. Isso indica que, em até 6% dos
casos, a determinação sexual baseada em amostras
de sangue ou penas pode estar incorreta, impactando pesquisas
e práticas de conservação.
No estudo, aves com sexo invertido
foram classificadas como machos genéticos com características
femininas, fêmeas genéticas com características
masculinas ou indivíduos com traços mistos de órgãos
reprodutivos. As causas da inversão sexual ainda são
desconhecidas, e os pesquisadores destacam a necessidade de mais
estudos para entender os possíveis gatilhos ambientais.
Substâncias químicas desreguladoras endócrinas
e altos níveis de hormônios do estresse são
apontados como possíveis influências no desenvolvimento
sexual das aves. Um exemplo é o kookaburra geneticamente
macho, mas funcionalmente fêmea, encontrado em uma área
agrícola periurbana, onde há maior exposição
a esses agentes químicos.
Saiba mais: Clancy A. Hall et
al., Prevalência e implicações da reversão
sexual em aves de vida livre, Biology Letters (2025). DOI: 10.1098/rsbl.2025.0182
Criado em 2015, dentro do setor
de pesquisa da Agência Ambiental Pick-upau, a Plataforma
Darwin, o Projeto Aves realiza atividades voltadas ao estudo e
conservação desses animais. Pesquisas científicas
como levantamentos quantitativos e qualitativos, pesquisas sobre
frugivoria e dispersão de sementes, polinização
de flores, são publicadas na Darwin Society Magazine; produção
e plantio de espécies vegetais, além de atividades
socioambientais com crianças, jovens e adultos, sobre a
importância em atuar na conservação das aves.
Da Redação, com
informações de agências internacionais
Matéria elaborada com auxílio de inteligência
artificial
Fotos: Reprodução/Pixabay
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