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Aves estão desaparecendo de paisagens agrícolas na Noruega
Situação pode significar mudança ainda maior no ecossistema
 

13/02/2026 – As aves associadas a paisagens agrícolas na Europa vêm sofrendo forte declínio, com redução de cerca de 60% nas populações desde 1980. Dados recentes indicam que essa tendência também ocorre na Noruega. O Programa Norueguês de Monitoramento de Paisagens Agrícolas (3Q), conduzido pelo NIBIO desde 1998, acompanha o uso da terra, as mudanças na paisagem e seus impactos sobre a biodiversidade.

Pesquisadores do NIBIO monitoram aves reprodutoras em paisagens agrícolas há 25 anos e criaram um índice específico para avaliar as tendências populacionais. Das cerca de 34 espécies de aves rurais, 22 foram selecionadas por serem suficientemente comuns para análises confiáveis. Usando o ano 2000 como referência (índice = 100), os dados mostram um declínio contínuo, com o índice caindo para cerca de 75 em 2023, o que representa uma redução aproximada de 25%.

Embora haja variações entre as espécies, várias aves comuns das paisagens agrícolas tiveram fortes declínios. O tordo-comum reduziu sua população em até 56%, e espécies como andorinhão-preto, escrevedeira-amarela e cartaxo-comum caíram cerca de 50%. Em contraste, algumas espécies apresentaram aumentos moderados, como pardal-montês, pardal-doméstico e estorninho-comum (cerca de 15%), enquanto o maior crescimento foi do pintassilgo-europeu, com aumento de até 54% desde 2000.

As aves das paisagens agrícolas apresentam grande diversidade de hábitos e necessidades, o que impede a identificação de uma única causa para o declínio de várias espécies. Fatores como diferenças ecológicas e mudanças climáticas provavelmente atuam de forma combinada, contribuindo para a redução das populações.

Segundo Christian Pedersen, pesquisador do NIBIO, entre as espécies analisadas há aves residentes e migratórias, o que dificulta determinar se as causas do declínio ocorrem na Noruega ou ao longo das rotas migratórias e áreas de invernada. Ainda assim, o fato de espécies que permanecem no país o ano todo também estarem em declínio indica uma responsabilidade local, ao mesmo tempo em que reforça a necessidade de cooperação internacional para enfrentar o problema.

Reprodução/Pixabay

 



O pesquisador aponta que as mudanças históricas e contínuas no uso das paisagens agrícolas são a principal causa do declínio das aves. A intensificação da agricultura, a especialização dos sistemas produtivos e o abandono de terras tornam a paisagem mais uniforme, eliminando habitats essenciais para muitas espécies.

Elementos como margens de campos, pequenos bosques, pastagens e áreas úmidas oferecem alimento, abrigo e locais de nidificação, e sua perda enfraquece a sobrevivência das aves. Além disso, espécies que nidificam diretamente nas áreas agrícolas entram em conflito com a produção de alimentos, sendo especialmente afetadas pelo manejo intensivo, como o aumento de cortes de feno, o prolongamento da estação de crescimento e a drenagem do solo.

Os resultados do programa 3Q oferecem uma base importante para orientar a gestão e as políticas agrícolas. Para conter e reverter o declínio das aves, os pesquisadores recomendam preservar e restaurar habitats, adaptar as práticas agrícolas aos ciclos de vida das espécies, proteger margens de campos, bosques e áreas úmidas, manejar adequadamente pastagens e prados de feno, reduzir o uso de pesticidas e evitar o crescimento excessivo da vegetação e o reflorestamento com coníferas. Além disso, programas de subsídios ambientais já existentes podem contribuir positivamente para a avifauna e poderiam ser ajustados para ampliar esse impacto.

Pedersen destaca que o declínio das aves indica alterações mais profundas na natureza, já que elas ocupam níveis elevados da cadeia alimentar e reagem rapidamente às mudanças ambientais, funcionando como importantes indicadores da saúde dos ecossistemas. A redução de plantas com flores, por exemplo, diminui os insetos polinizadores e, consequentemente, as populações de aves. Diante da continuidade da tendência negativa, o pesquisador ressalta a urgência de adotar medidas para recuperar ou ao menos estabilizar essas populações.

Criado em 2015, dentro do setor de pesquisa da Agência Ambiental Pick-upau, a Plataforma Darwin, o Projeto Aves realiza atividades voltadas ao estudo e conservação desses animais. Pesquisas científicas como levantamentos quantitativos e qualitativos, pesquisas sobre frugivoria e dispersão de sementes, polinização de flores, são publicadas na Darwin Society Magazine; produção e plantio de espécies vegetais, além de atividades socioambientais com crianças, jovens e adultos, sobre a importância em atuar na conservação das aves.

Da Redação, com informações de agências internacionais
Matéria elaborada com auxílio de inteligência artificial
Fotos: Reprodução/Pixabay

 
 
 
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