04/03/2026
– Um estudo internacional liderado pelo Instituto de Ciência
e Tecnologia Ambiental da Universidade Autônoma de Barcelona
concluiu que as aves que hoje vivem em regiões da África,
América Latina e Ásia são, em média,
significativamente menores do que as que predominavam em 1940.
Com base na memória ecológica coletiva de 10 povos
indígenas e comunidades locais, a pesquisa aponta uma redução
de até 72% na massa corporal média das espécies
registradas nesses territórios entre 1940 e 2020.
Publicada na Oryx, a pesquisa
resultou de um levantamento global com 1.434 adultos de 10 comunidades
locais em três continentes. Ao todo, foram reunidos 6.914
relatos sobre 283 espécies de aves, comparando as mais
comuns na infância dos participantes com as atualmente observadas
em seus territórios.
A análise aponta um padrão
claro: ao longo das últimas décadas, espécies
de grande porte foram gradualmente desaparecendo dos ambientes
locais, sendo substituídas por aves menores. Se na década
de 1940 a massa corporal média das espécies registradas
ultrapassava 1.500 gramas, na década de 2020 esse valor
caiu para cerca de 535 gramas. No total, os modelos estatísticos
indicam uma redução aproximada de 72% na massa corporal
média das assembleias de aves observadas por essas comunidades
ao longo de 80 anos.
Segundo Álvaro Fernández-Llamazares,
do Instituto de Ciência e Tecnologia Ambiental da Universidade
Autônoma de Barcelona, a redução no tamanho
médio das aves pode estar ligada tanto à extinção
local de espécies de grande porte — mais vulneráveis
à caça, à perda de habitat e à infraestrutura
— quanto a transformações sociais que mudaram
a relação das comunidades com seus ecossistemas.
O estudo também
ressalta que a crise global de extinção de aves,
já amplamente documentada pela ciência, é
igualmente percebida na memória coletiva de povos com longa
conexão com seus territórios. Os autores defendem
um diálogo respeitoso e equilibrado entre o conhecimento
científico e o saber indígena, reconhecendo seu
valor para fortalecer políticas de biodiversidade e práticas
de conservação.
A diminuição das
aves de grande porte traz consequências ecológicas
e culturais: além de exercerem funções essenciais
nos ecossistemas, essas espécies integram a identidade,
a memória e as práticas tradicionais de muitas comunidades.
O estudo mostra que as mudanças
na biodiversidade não aparecem apenas em dados científicos,
mas também na experiência e na memória de
populações que mantêm vínculos históricos
com a natureza em seus territórios.
Saiba mais: Álvaro Fernández-Llamazares
et al, Povos indígenas e comunidades locais relatam um
declínio consistente na massa corporal de aves em três
continentes, Oryx (2026). DOI: 10.1017/s0030605325102615
Criado em 2015, dentro do setor
de pesquisa da Agência Ambiental Pick-upau, a Plataforma
Darwin, o Projeto Aves realiza atividades voltadas ao estudo e
conservação desses animais. Pesquisas científicas
como levantamentos quantitativos e qualitativos, pesquisas sobre
frugivoria e dispersão de sementes, polinização
de flores, são publicadas na Darwin Society Magazine; produção
e plantio de espécies vegetais, além de atividades
socioambientais com crianças, jovens e adultos, sobre a
importância em atuar na conservação das aves.
Da Redação, com
informações de agências internacionais
Matéria elaborada com auxílio de inteligência
artificial
Fotos: Reprodução/Pixabay
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