Talha-mar (Rynchops niger)
 
 
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Estudo global relata que ruído humano atrapalha aves e impacta no sucesso reprodutivo
Pesquisadores analisaram quase quatro décadas de trabalho científico e descobriram que os ruídos produzidos por humanos estavam interferindo na vida de aves
 

14/04/2026 – Uma nova análise em larga escala revelou que a poluição sonora está prejudicando o comportamento das aves em todo o mundo. Com base em quase quatro décadas de pesquisas, cientistas constataram que os ruídos produzidos por atividades humanas afetam aves em seis continentes, interferindo em aspectos essenciais como cantos de acasalamento, busca por alimento e evasão de predadores. O estudo também apontou fortes impactos negativos no sucesso reprodutivo das aves.

Pesquisas anteriores já indicavam que ruídos causados por atividades humanas, como aviões, trânsito e obras, afetam aves assim como outros animais selvagens. Neste novo estudo, porém, os cientistas ampliaram a análise, reunindo dados desde 1990 sobre 160 espécies para identificar padrões mais gerais. Publicado na Proceedings of the Royal Society B, o trabalho encontrou evidências claras de um impacto generalizado da poluição sonora sobre aves em todo o mundo.

O estudo concluiu que o ruído afeta significativamente comportamentos essenciais das aves, como comunicação, busca por alimento, agressividade, fisiologia, uso do habitat e reprodução. Como dependem de sons para sobreviver, elas se tornam especialmente vulneráveis ao barulho gerado por carros, máquinas e ambientes urbanos. Segundo Natalie Madden, que liderou a pesquisa na Universidade de Michigan, as aves utilizam o canto para atrair parceiros, vocalizações para alertar sobre predadores e chamados dos filhotes para indicar fome aos pais.

O estudo destaca que o excesso de barulho pode impedir que as aves escutem sinais da própria espécie, prejudicando sua comunicação. A poluição sonora foi associada à interrupção de exibições de acasalamento, alterações nos cantos de corte dos machos e à dificuldade de comunicação entre filhotes e pais. A pesquisa analisou espécies comuns como o pisco-de-peito-ruivo-europeu, o estorninho-comum, o pardal-doméstico e o chapim-real. Os impactos variaram entre as espécies: aves que nidificam próximas ao solo sofreram maiores prejuízos reprodutivos, enquanto aquelas com ninhos abertos apresentaram efeitos mais intensos no crescimento.

Reprodução/Pixabay

 



O estudo aponta que aves que vivem em áreas urbanas apresentam níveis mais altos de hormônios do estresse do que aquelas fora das cidades. Segundo a União Internacional para a Conservação da Natureza, cerca de 61% das espécies de aves no mundo estão em declínio, principalmente devido à perda de habitat causada pela expansão agrícola e exploração madeireira. Os pesquisadores destacam que a poluição sonora é uma consequência subestimada do impacto humano na natureza, embora medidas relativamente simples possam ajudar a reduzir seus efeitos sobre as aves.

Madden afirmou ainda que uma das soluções para reduzir o impacto do ruído sobre as aves seria substituir carros e equipamentos de jardinagem barulhentos por alternativas elétricas. Ela também sugeriu operar máquinas fora dos períodos de reprodução e migração, além de afastar construções de habitats de espécies vulneráveis.

O autor sênior do estudo, Neil Carter, da Universidade de Michigan, acrescentou que edifícios podem ser adaptados para bloquear o som, assim como já são projetados para reduzir colisões de aves. Segundo ele, embora a perda de biodiversidade pareça um problema enorme, existem soluções práticas e viáveis para diminuir a poluição sonora.

Saiba mais: Efeitos mediados por características do ruído antropogênico no comportamento e aptidão de aves, Proceedings of the Royal Society B: Biological Sciences (2026). DOI: 10.1098/rspb.2025.2521 . doi.org/10.1098/rspb.2025.2521

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Da Redação, com informações de agências internacionais
Matéria elaborada com auxílio de inteligência artificial
Fotos: Reprodução/Pixabay

 
 
 
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